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Editorial

A imprensa e a guerra

Existe um mito muito difundido de que a imprensa e a mídia em geral devem ser neutras e imparciais, pois só assim poderiam estar próximas dos fatos e retratá-los com um mínimo de fidelidade.

Portanto, é o velho sonho de possibilidade de neutralidade perante a realidade, diante de interesses bem claros de uma camada dirigente sequiosa de sangue  e lucro comercial, a defesa da utopia da “imparcialidade dos fatos”. Isto acarreta vários problemas.

O primeiro é o de achar que podemos ser imparciais perante algo; contudo, de uma maneira ou de outra revelamos nossas posições, isto é, nossa estrutura cultural nos forja enquanto membros de uma classe social, estas características jamais as perdemos e as expressamos, às vezes, com uma grande sutileza.

Os velhos metafísicos acreditavam que por trás de uma realidade ou de algo presente nesta realidade, haveria a sua essência, caberia a nós desvendar o real e perceber este real, só que isto não era para todos...Nascia assim, uma forma especial de procurar qualificar quem sabe e quem não sabe, quem pode governar e quem não pode.

O resultado dessa idéia de conhecimento acabou no transcorrer dos tempos em  vários desastres, não podemos esquecer que no programa do regime nazista, falava-se no objetivo de produzir “guardiões no sentido platônico mais elevado” (citado em “Os Sofistas” de W.K.C. Guthrie, Ed. Paulus, p.15) .

O segundo grande problema desenvolvido pela a idéia da imparcialidade será o da verdade estabelecida, isto é, aquele que descreve com “imparcialidade” apresenta uma “verdade” e esta se torna inquestionável perante os fatos. Portanto, seria tolice querer ser o outro, mostrar um novo caminho que possa de alguma maneira questionar a “verdade” dita imparcial, sempre onipresente na versão oficial.

Hoje, o processo de informação é filtrado por algumas poucas companhias que se tornam cada vez mais porta-vozes do Departamento de Estado, o que o filósofo italiano Negri qualificou brilhantemente de Império (título de um de seus últimos trabalhos aqui publicados).

Em nosso país, esta retransmissão direta do Departamento se faz presente, por exemplo, quando toda a mídia chama de Ditador o governante de um dos lados em conflito (não por acaso o lado mais fraco) enquanto do outro lado temos o Presidente (não por acaso o lado mais forte), onde está a imparcialidade? Infelizmente é algo progressivo, desenvolve-se na proximidade do conflito a desmoralização de um dos oponentes, o aspecto ideológico da “cobertura” local é evidente.

Por fim, nos perguntamos o que está em jogo? São necessárias algumas ponderações, mesmo com algumas reservas, pois estamos ainda na iminência do que vai acontecer, a guerra.

A diplomacia foi uma arma fundamental, nasceu com o Estado moderno, permitindo atenuar os antagonismos entre reis e nobres feudais e as cidades em franca evolução republicana, a partir do norte da Itália.

O “Império” é a forma como Negri qualifica a nova forma de organização política econômica que se desenvolve ao fim da II Guerra Mundial, quando as grandes corporações multinacionais em franco desenvolvimento vão abarcando o poder dos Estados; assim a diplomacia mediadora dos conflitos torna-se, na verdade, um empecilho.

Quando fazemos uma leitura histórica do conflito que se avizinha, percebemos uma forte investida dos USA contra a ONU, isto é, as “nações unidas”, e mesmo uma tentativa de desmoralização do seu papel, basta perceber as ameaças de atacar sem o consentimento do Conselho de Segurança daquele organismo.

Os aliados pedem uma saída diplomática, a Europa tem medo, pois investiu no petróleo do Iraque, e esta é a questão central do conflito: atacar o Iraque, destituir seu governo, determinar um controle sobre uma região rica em petróleo e assim fazer frente à Arábia Saudita e, por fim, poder determinar com mais autonomia o jogo econômico.

Outro fator implícito em todo esse processo é o ataque à cultura do mundo árabe, a autonomia dos povos etc.

Desde que foi eleito, sabia-se que o atual Presidente (ou seria ditador?)  dos E.U.A., de uma maneira suspeita na contagem de votos, fora apoiado por grandes corporações multinacionais das “sete irmãs” do Petróleo; pois bem, agora se cobra a fatura, como se o “Ditador” (ou seria Presidente?) do Iraque pudesse desencadear um ataque mortal contra os EUA, porém, imaginam-se os motivos reais do ataque assim como o de outros já perpetrados ou ameaçados.

Será que estes fatos surgirão destacados na mídia imparcial? A resposta é não! Sobre o céu de Bagdá e outras cidades bombas provocarão destruição e mortes, e morreremos mais um pouquinho... A mídia? Bem, sabemos o que vai informar...

Agenda

Palestra:

Feudalismo: ascensão e crise

Dia 26/02/03, 16 horas

 

Prof. José Sobreira de Barros Jr

Mestre em Filosofia-PUC/SP

Entrada Franca: vagas limitadas

 
Novos cursos

Introdução à Filosofia Antiga

 (sábados, 15 h)  R$20,00/mês

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Filosofia da Libertação

 (sábados, 17 h)  R$30,00/mês

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Introdução à Filosofia Medieval

(quartas, 16 h)  R$20,00/mês

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Filosofia da Arte

(quintas, 16 h)  R$30,00/mês

 

Inscrições:

Tel. (13) 3252-3319 (CEFS)

Rua Júlio Conceição, 206, V. Mathias, Santos/SP


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Expediente

Jornal Paradigmas, uma publicação do CEFS – Centro de Estudos Filosóficos de Santos

O CEFS é uma entidade sem fins lucrativos, que tem como objetivo fundamental levar a Filosofia a toda a sociedade, sem qualquer discriminação, contribuindo, assim, com a formação da consciência crítica do cidadão e propiciando-lhe, por conseguinte, melhor reflexão e atuação diante da realidade de que faz parte.

Presidente

Luiz Meirelles

Vice-Presidente

Ronaldo Ronil da Silva Jr.

Conselho Editorial

Cristiane Guapo / José Sobreira Barros Jr 

Luiz Meirelles

 Jornalista Responsável

Beth Capelache

Mtb.: 2.383.802

 Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião do CEFS.

 CEFS

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 Cep 11015-540 Santos/SP

Telefone: (13) 3252-3319

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Tiragem: 1.000 exemplares.

Impressão

CEGRAF Gráfica e Editora Ltda

Tel. 3234-5170 -  3234-5136

Dicas

Leitura:  A Escada dos fundos da Filosofia.  WEISCHEDEL, Wilhelm. Um livro que leva o leitor aos pensamentos filosóficos a partir dos fatos característicos da vida cotidiana de 34 filósofos. Uma leitura para despertar o gosto pela filosofia.

Internet: http://www.camarabrasileira.com/  Site dedicado a jovens escritores, com textos, poesias, livros e dicas de como publicar um livro dentro das normas legais.

Filme:  A excêntrica família de Antonia. Direção de  Marleen Gorris. O tema central é a questão da maternidade, abordada em três gerações de uma família estereótipa.

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AS CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS EM VYGOTSKY E FOUCAULT

PAULO DIAS GOMES

Filósofo, Teológo, Doutor em Ciências da Religião e Especialista em Docência do Ensino Superior e em Educação à Distância.

Professor titular da Cadeira de Fenomenologia e Existencialismo, Lógica e Metafísica da Faculdade Phênix de Ciências Humanas e Sociais do Brasil

 

Lev Semionovitch Vygotsky Nasceu em 17 de Novembro de 1896 na cidade Orsha – Moscou. Pensador importante, foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais (e condições de vida).

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Expediente

Revista Paradigmas

Filosofia, Realidade & Arte

Ano XII - n. 39

ISSN 1980 - 4342

Julho/Agosto – 2012

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A Interpretação de Hannah Arendt da proairesis aristotélica

 Adriano Martins Soler

Mestrando em Filosofia - PUCSP

Introdução

O presente artigo trata de uma releitura do texto exposto na primeira parte do Capítulo 2 – A descoberta do homem interior – do Volume 2 – O Querer (A vontade) – da obra A Vida do Espírito de Hannah Arendt. Depois do Pensar, é o Querer que é solicitado, para confiar o segredo antropológico da aberração que, certo destino histórico da modernidade, demonstrou através de uma nova crítica do juízo. Desta vez, Arendt vai em busca de uma genealogia das teorias da vontade - da proairesis antiga até Nietzsche e Heidegger, passando pelo pensamento medieval.

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Poesia, linguagem e habitar em Heidegger

 Siloe Cristina do Nascimento Erculino

Mestranda em Filosofia -  UFES

Heidegger (1889-1976), filósofo alemão, desenvolveu em seus trabalhos “a questão do sentido do ser” , segundo ele, foi esquecido pela metafísica.

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1. Paulo Freire e Sartre preocupam-se, sobretudo:
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