Filosofia com Pipoca

Muita bola e um pingo de filosofia

Edson Pipoca

blogdopipoca.wordpress.com


Nós brasileiros somos muito sortudos: Deus é brasileiro, em fevereiro tem carnaval e nossas negas chamadas Teresas, Marias e etc são as mais sexies do mundo.


Mas nossos filósofos se ressentiam de alguma coisa mais substancial para terem a alma lavada, expressão aqui tratada como puro lugar comum, sem alusão ao conceito grego, por favor. E eis que a solução estava bem ali, ali no campo de futebol como tudo o que ocorre neste país.

A providência, ou a espiritualidade, ou, para os materialistas, a dinâmica social, nos presenteou com este grande - grande? Tá, baixinho! - filósofo: Romário da Penha. Injustamente conhecido apenas como jogador e mulherengo.

Romário entre um gol e outro, entre uma pelada, jogo de bola; e outra, mulher, cunhou todo um sistema de pensamento de linha pragmática. E logo ele, que não treinava, ou seja, nunca foi chegado ao trabalho, conseguiu com sua filosofia definir toda a dinâmica das relações de trabalho do século XXI na seguinte frase: “Ordem mal dada não é para ser cumprida”. E dentro da maior tradição de filósofos participantes, pôs o negócio em prática:
Ajudou a conquistar a copa de 94 desobedecendo as ordens poucos eficazes do treinador Parreira. E só pegando na bola para fazer gol. Afinal o que queremos de um goleador não é trabalho, são gols. O Baixinho levou o pragmatismo ao estado de excelência.

E ele nos libertou das cagadas diárias de nossos chefes. Bem, alguns acabaram sendo libertos do trabalho, ou seja, demitidos.  Como seria o mundo se os generais de Napoleão não tivessem o ouvido na campanha da Rússia? E a humanidade não estaria passando sufoco com 7 bilhões de bocas sem a gente não tivesse levado tão a sério o “Crescei e multiplicai”.

Opa, o Baixinho também levou! Bom, não é porque é gênio que deve fugir a seu tempo, diriam os materialistas. Ah, esses materialistas e seu relativismo para nos salvar!

Mas voltemos a Romário e seu pragmatismo radical. Vendo as contas aumentarem, foi beber em outro baixinho e pragmático de carteirinha e deu dois passos para trás: revisitou Platão, vendo uma boa saída econômica na ideia do rei-filósofo. O Baixinho virou político, de terno e tudo. Sendo o primeiro filósofo do novo século a ter cargo público.

Sem bem que ele continua não dispensando um futevôlei na praia. Pô peixe, se a ideia é não suar a camisa - outro lugar comum, já digo -, então ocupemos nosso tempo epicuristamente.


Vai ser pragmático assim lá no Congresso, peixe!

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