O papel da retórica no jogo dialógico:

A reabilitação teórica da arte da persuasão segundo Gadamer[1]

 Adriano Picoli

Bacharel, licenciado

mestre e doutorando em Filosofia pela UFSC.

             Se há uma arte que temos que destacar por suas muitas alternâncias entre momentos de consideração e desconsideração desde o mundo grego até hoje esta é a da retórica.

Se Platão a combateu e os modernos a esqueceram quase que completamente, outros nomes de peso como Aristóteles, Cicero e, mais recentemente, Perelman e Olbrechts-Tyteca deram-lhe a merecida atenção.

            E qual foi o papel da retórica para nosso principal interlocutor Hans-Georg Gadamer (1960-2002)? Ele foi um profundo estudioso da arte retórica, iniciando os seus estudos ainda na década de XX com Paul Friedländer. Gadamer viu-a como uma tarefa complementar à filosofia. Ele é explicito ao declarar que seus estudos de retórica o ajudaram a direcionar seu pensamento para um caminho diferente do de Heidegger[2]. Para Gadamer, juntamente com a gramática, a retórica da antiga tradição dos períodos medieval e do humanismo moderno forneceu “regras metodológicas fundamentais”[3] para o desenvolvimento pragmático e didático das primordiais hermenêuticas teológica e filológica. Ao constituir parte do trivium, a retórica “apresentava-se como uma obviedade quase inadvertida, por impregnar tudo.”[4] Segundo Gadamer, diante da limitação ocasionada pela primazia dada pela tradição da retórica clássica aos âmbitos de aplicação consciente da arte do bem falar, tais como nas áreas da jurisprudência, da política e da demonstração[5], devemos os aspectos mais produtivos dessa contribuição para a hermenêutica protestante, pois herdamos dela não apenas o seu vocabulário resgatado da antiga retórica, mas também o prelúdio antecipado de questões que somente vieram a frutificar em sua “profunda problemática filosófica”[6] durante o século XX. Um dos responsáveis pela ampliação do escopo da retórica foi Melanchton que introduziu o gênero didático, vendo a ars bene legendi como uma “faculdade de apreender e julgar discursos”[7], abrindo espaço para a consideração da interpretação textual, ou seja, para a tarefa hermenêutica por excelência, ao passo que ressaltou a generalidade do aspecto pragmático e aplicativo da retórica.

Deste modo, a retórica desde seu desenvolvimento na tradição da Antiguidade apresentou-se como a única esfera defensora do eikos, do verossímil[8]. Além dessa defesa do eikos, o ideal da arte do “bem-falar” cultivado pela retórica e pela filosofia da Antiguidade, e resgatado por humanistas tais como Vico e sua defesa da “função educativa da retórica”, tema este que, segundo Gadamer, “sempre esteve vivo e segue sendo-o até os dias de hoje”[9] (este proporcionou uns dos primeiros e mais radicais retornos à antiga tradição retórica como caminho para abrir uma dimensão de crítica à “pretensão monopolizante da ciência ‘moderna’”[10]), tem um papel fundamental no jogo dialógico gadameriano, enquanto que tal ideal não se restringiu ao mero ideal retórico da arte do falar. Ao ir para além deste, antes o ideal do “bem-falar” sempre se manteve preocupado com ditos que expressem o correto e verdadeiro como expressão de uma razão comum da comunidade. Esta preocupação já era ensinada nos tempos de Protágoras até Isócrates, já ali não se desejava “apenas ensinar a discursar, mas também a formar uma consciência de cidadania justa, que prometia trazer êxito político.”[11] Entretanto, foi apenas com Platão que a arte retórica veio a ter claros os seus limites e o seu locus.

Nos trilhos de Gadamer, o retorno à “linguagem da vida cotidiana” promovido a partir do Wittgenstein das Investigações e a volta ao “mundo da vida” de Husserl tiveram como consequências as de que, deste momento em diante, a hermenêutica teve que retornar ao século XVII com o objetivo de reatar a sua orientação à tradição retórica proveniente da Antiguidade, até então desvalorizada desde a ascensão do Iluminismo alemão e seus mitos no século XVIII[12], visto que aquela apenas sobreviveu “de modo latente no âmbito da estética e da hermenêutica”.

            A dupla exigência cultivada pela tradição retórica fez surgir o que Gadamer denomina de: “a positiva ambiguidade do ideal retórico”[13]. Pois nele, internamente, choca-se a busca para persuadir o ouvinte a qualquer custo com a exigência de manter-se livre de ditos considerados falsos pelo próprio falante. Este traço da retórica foi negado tanto pelo antirretoricismo de Platão quanto pelo da metodologia das ciências modernas. Na modernidade, o principal motivo da desvalorização da retórica se deu após a inserção do conceito de gênio pela estética kantiana que através do mito da produção inconsciente do gênio negou toda a ocasionalidade ao âmbito artístico[14], aspecto este fundamentalmente constituinte da arte retórica, assim a aplicação da teoria do gênio restringiu a retórica ao mero caráter de técnica. No fundo, isto não significou a morte da retórica, mas antes a tentativa de ocultá-la por trás da crença nos “puros” raciocínios da razão. Como nos adverte Gadamer, a vigência da retórica evidencia-se até mesmo num amante da razão como Descartes, que não obstante seu rigor metodológico, não deixa de utilizar-se dos meios dela. 

            Outra contribuição da retórica antiga foi a percepção do dinamismo todo-parte e parte-todo que envolvem o processo do compreender. Para tanto, usou-se da analogia que compara

o discurso [Rede] perfeito com um corpo orgânico e com a relação entre a cabeça e os membros. Lutero e seus seguidores transferiram essa imagem oriunda da retórica clássica para o procedimento do compreender, e desenvolveram um princípio geral de interpretação de texto segundo o qual todos os aspectos individuais de um texto devem ser compreendidos a partir do contextus, do conjunto, e a partir do sentido unitário para o qual o todo está orientado, o scopus.[15]

             No viés de Gadamer, esta valorização do contexto não vale apenas para o processo do compreender de textos, mas para todo e qualquer processo que exige o compreender. Deste modo, a retórica nos oferece o lugar da tomada de consideração do sentido dialético das “alternativas do opinar”[16] que caracterizam o que “são” os ditos “problemas”, portanto, um problema apenas surge no confronto de opiniões divergentes, ele não existe a priori ao surgimento delas. Sob a perspectiva hermenêutica gadameriana, isto significa dizer que o conceito de problema “implica necessariamente a impossibilidade de uma decisão unívoca sustentada por razões.”[17] Pois o que legitima uma decisão é a sua evidência, ou seja, “O eikos, o verosimile, o vero-símil (Wahr-Scheinlich), o evidente, formam uma série que pode justificar-se por si mesma ante a verdade e a certeza do que está demonstrado e sabido.”[18] Aceitar a evidência de um argumento significa dizer que “há coisas que falam em seu favor”[19], que o legitimam como possibilidade e probabilidade aceitáveis. É deixar em aberto a possibilidade de ampliar “o campo do que entra em consideração.”[20] Diante do caráter de evento, de atividade, que perpassam os fenômenos da arte retórica e do compreender elas são aconteceres que apresentam-se como autênticas experiências, porquanto o evidenciar algo naquilo que foi dito, sem que por isso fique assegurado, julgado, e decidido em todas as possíveis direções, é algo que de fato ocorre cada vez que algo nos fala a partir da tradição. O transmitido impõe-se em seu direito, na medida em que é empreendido e amplia o horizonte que até então nos rodeava.[21]

 Torna-se claro que a hermenêutica e a retórica “enquanto formas de realização da vida”[22] entrelaçam-se à medida que compartilham “a função que exerce o eikos, o argumento persuasive[23] que busca a “antecipação da vida justa. Essa antecipação subjaz a toda parceria social e seus esforços de entendimento.”[24] Percebida por Platão como “uma fundamentação antropológica da arte do discurso”[25] e desenvolvida por Aristóteles, a questão da persuasão do outro exige o conhecimento desse outro que se quer influenciar, de modo a promover a “adequação do discurso e da alma”[26] do outro, porquanto um discurso tem que “produzir efeitos” sobre o outro. Assim como a hermenêutica, “a retórica testemunha verdadeiramente a estrutura universal da linguagem universal. Em outro sentido, essa estrutura constitui a base essencial para o elemento hermenêutico”[27]. Tal estrutura perpassaria toda a dimensão social dos seres humanos que se apresenta na situação originária da imediaticidade do dizer. Foi através dela que a vigência da antiga tradição ocidental percorreu os séculos.  Gadamer defende que o verdadeiro alcance da retórica

 Abarca qualquer forma de comunicação baseada na capacidade de falar e é o que dá coesão à sociedade humana. Sem falar uns com os outros, sem entender-nos uns aos outros, e até sem entender-nos quando faltam argumentações lógicas concludentes, não existiria nenhuma sociedade humana. Daí, a necessidade de recobrar nova consciência da significação da retórica e do lugar que ocupa na cientificidade moderna.[28]

 Gadamer vê a necessidade da explicitação das “universalidades interativas da retórica, da hermenêutica, e da sociologia em sua interdependência e esclarecer a legitimidade característica de cada uma dessas universidades.”[29] Para Gadamer, esta necessidade ganha ainda mais urgência diante da ambígua pretensão científica da hermenêutica e da retórica, tal ambiguidade surgiria ante as relações delas “com a práxis.”[30] Visto que a retórica e a hermenêutica não se caracterizam como meras técnicas metodológicas, elas são antes capacidades e habilidades naturais que alguém pode desenvolvê-las de modo que ultrapasse o nível natural dos outros. Talvez o que mais caracterize a hermenêutica e a retórica seja os seus entrelaces entre teoria e prática, os quais se complementam[31]. Isto se mostraria pelo fato de que

 Persuadir e evidenciar sem lançar mão da demonstração é o objetivo e o parâmetro tanto do compreender e do interpretar quanto da arte da persuasão e do discurso... e esse amplo domínio das convicções evidentes e das opiniões comuns reinantes não se restringe gradualmente pelo progresso da ciência, por maior que seja, mas estende-se antes a todo novo conhecimento da investigação, reivindicando-o como seu e adaptando-se para si. A ubiqüidade da retórica é ilimitada. Graças a ela a ciência se socializa na vida.[32]

             A função fundamental da retórica sustenta a base onde a própria ciência provoca seus efeitos, pois discurso da ciência não está livre do desejo de querer convencer, isto se torna ainda mais claro quando o discurso da ciência ultrapassa a “linguagem” dos especialistas para ganhar vida no ambiente da linguagem cotidiana, no âmbito pluralista dos leigos. Para Gadamer, o fenômeno da retórica apenas tem sentido no fato do entendimento e do consenso sustentarem as relações humanas. É apenas diante da quebra do “consentimento daqueles que ‘são uma conversa’”[33] que a tarefa hermenêutica ganha seu pleno sentido enquanto busca restabelecer o entendimento.

Por fim, pela via gadameriana, a universalidade destes fenômenos estaria garantida porque “no fundo a arte de falar não deixa de ser uma capacidade natural do ser humano, assim como a arte de compreender.”[34] Elas compartilham do mesmo solo, a saber: o da racionalidade que emerge na linguagem do sensus communis. A importância da tradição retórica deu-se justamente pela subjacente preservação de tal linguagem[35]. Ainda segundo ele, “a racionalidade do modo de argumentação da retórica é e continuará sendo um fator decisivo da sociedade, muito mais poderoso que a certeza da ciência.”[36] Esta antes mostra-se cada dia mais dependente dos estratagemas retóricos para a apresentação de seus resultados manifestos em terminologias cada vez mais abstratas.

 

REFERÊNCIAS

 GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 6. ed. Trad.: Flávio Paulo Meurer.Petrópolis: Vozes, 2004.

 

______. Verdade e método II: complementos e índice. 2. ed. Trad.: Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2004.

 

______. Hermeneutik I: Wahrheit und Methode: Grundzüge einer philosophischen Hermeneutik. Tübingen: Mohr, 1999. (Gesammelte Werke 1).

 

______. Hermeneutik II: Wahrheit und Methode: Ergänzungen und Register. Tübingen: Mohr, 1999. (Gesammelte Werke 2).

 

______. Elogio da teoria. Trad.: João T. Proença. Lisboa: Edições 70, 2001.

 

PERELMAN, Chaïm; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. Trad.: de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

 

 

 

 

 

Adriano Picoli – Bacharel, licenciado, mestre e doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.



[1] Abreviações utilizadas para as obras de Gadamer:

WM1Verdade e Método I; WM2Verdade e Método II ([xx] Paginação lateral de WM1 e WM2, correspondente à paginação alemã); EDTElogio da teoria.

[2] Cf. WM2, p. 554; [486].

[3] WM2, p. 116; [95]. “methodische Grundregeln”.

[4] WM2, p. 321; [276]. “führte dieselbe ein Leben von fast unmerklicher, weil alles durchdringender Selbstverständlichkeit.”

[5] Cf. WM2, p. 326; [281].

[6] WM2, p. 116; [96]. “tiefere philosophische Problematik”.

[7] WM2, p. 327; [281]. “die Fähigkeit, Reden, längere Disputationen und vor allem Bücher und Texte aufzufassen und zu beurteilen”.

[8] Cf. WM2, p. 275; [236].

[9] WM2, p. 326; [280]. “immer lebendig gewesen und ist bis heute lebendig geblieben”.

[10] WM2, p. 135; [111]. “Monopolanspruch der ‘modernen’ Wissenschaft”.

[11] WM2, p. 274; [235]. “nicht nur reden zu lehren, sondern auch das rechte staatsbürgerliche Bewußtsein zu formen, das politischen Erfolg verhieß.”

[12] Cf. WM2, p. 134-5; [110-1].

[13] WM1, p. 56; [25]. “die positive Doppeldeutigkeit des rhetorischen Ideals”.

[14] Cf. WM1, p. 118-9; [77].

[15] WM1, p. 243; [179]. “die vollkommene Rede mit dem organischen Körper, dem Verhältnis von Haupt und Gliedern vergleicht. Luther und seine Nachfolger übertrugen dieses aus der klassischen Rhetorik bekannte Bild auf das Verfahren des Verstehens und entwickelten als allgemeinen Grundsatz einer Textinterpretation, daß alle Einzelheiten eines Textes aus dem contextus, dem Zusammenhang, und aus dem einheitlichen Sinn, auf den das Ganze zielt, dem scopus, zu verstehen sind.” Cf. também WM2, p. 116; [96].

[16] WM1, p. 491; [382].

[17] WM1, p. 491; [382]. “Es gehört zu seinem Begriff, daß es eine eindeutige Entscheidung aus Gründen nicht gestattet.”

[18] WM1, p. 624-5; [488-9]. “Das eikos, das verisimile, das Wahr-Scheinliche, das Einleuchtende gehören in eine Reihe, die dem Wahren und Gewissen des Bewiesenen und Gewußten  gegenüber ihre eigene Berechtigung verteidigt.”

[19] WM1, p. 625; [489]. “daß etwas dafür spricht.”

[20] WM1, p. 625; [489]. “der Bereich dessen erweitert, was in Betracht kommt.”

[21] WM1, p. 625; [489]. “Daß an etwas Gesagtem etwas einleuchtet, ohne deshalb nach jeder Richtung gesichert, beurteilt und entschieden zu sein, trifft in der Tat überall zu, wo uns aus der Überlieferung etwas anspricht. Das Überlieferte bringt sich in seinem Recht zur Geltung, indem es verstanden wird, und verschiebt den Horizont, der uns bis dahin umschloß.”

[22] WM2, p. 319; [274]. “als Vollzugsformen des Lebens”.

[23] WM2, p. 135; [111]. “die Rolle, die das eikos, das persuasive Argument spielt.” Cf. WM2, 318; [273] – p. 530-1; [466-7].

[24] WM2, p. 319; [274]. “die Antizipation des rechten Lebens nennt. Eine solche liegt aller sozialen Partnerschaft und ihren Verständigungsbemühungen zugrunde.”

[25] WM2, p. 273; [235]. “Aber erst Plato schuf die Grundlagen, von denen aus die neue, alles erschütternde Kunst der Rede”

[26] WM2, p. 273; [235]. “Anpassung von Rede und Seele”.

[27] WM2, p. 272; [234]. “Wahrhaft universale Sprachlichkeit, die dem Hermeneutischen im anderen Sinne wesenhaft vorausliegt und fast so etwas wie das Positiv zu dem Negativ der sprachlichen Auslegungskunst darstellt, bezeugt ferner die Rhetorik.”

[28] WM2, p. 371; [320]. “Sie umfaßt jede auf das Redenkönnen gegründete Kommunikationsform und ist das, was menschliche Gesellschaft zusammenhält. Ohne miteinander zu redden und ohne einander zu verstehen und ohne einander auch ohne logisch schlüssige Argumentationen zu verstehen, würde es keine menschliche Gesellschaft geben. So gilt es, sich der Bedeutung der Rhetorik und ihrer Stellung zur modernen Wissenschaftlichkeit neu bewußt zu werden.”

[29] WM2, p. 272; [234]. “die sich durchdringenden Universalitäten der Rhetorik, der Hermeneutik und der Soziologie in ihrer Interdependenz zum Thema zu machen und die verschiedenartige Legitimität dieser Universalitäten aufzuhellen.”

[30] WM2, p. 272; [234].

[31] Cf. WM2, p. 273; [234].

[32] WM2, p. 275-6; [236-7]. “Überzeugen und Einleuchten, ohne eines Beweises fähig zu sein, ist offenbar ebensosehr das Ziel und Maß des Verstehens und Auslegens wie der Rede- und Überredungskunst - und dieses ganze weite Reich der einleuchtenden Überzeugungen und der allgemein herrschenden Ansichten wird nicht etwa durch den Fortschritt der Wissenschaft allmählich eingeengt, so groß der auch sei, sondern dehnt sich vielmehr auf jede neue Erkenntnis der Forschung aus, um sie für sich in Anspruch zu nehmen und sie sich anzupassen. Die Ubiquität der Rhetorik ist eine unbeschränkte. Erst durch sie wird Wissenschaft zu einem gesellschaftlichen Faktor des Lebens.”

[33] WM2, p. 277; [238]. “Einverständnis derer, die ‘ein Gespräch sind’”.

[34] WM2, p. 245; [297]. “Auch wenn die Kunst der Rede sich besonderer Kunstmittel bedient, die man lernen kann, bleibt sie im Grunde eine natürliche Fähigkeit des Menschen, so gut wie die Kunst des Verstehens.”

[35] Cf. EDT, p. 122.

[36] WM2, p. 569; [499]. “Die Rationalität der rhetorischen Argumentationsweise, die zwar 'Affekte' ins Spiel zu bringen sucht, aber grundsätzlich Argumente geltend macht und mit Wahrscheinlichkeiten arbeitet, ist und bleibt ein weitaus stärkerer gesellschaftlicher Bestimmungsfaktor als die Gewißheit der Wissenschaft.”

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