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Entrevista

Alexandre Rojas de Lima sobre a Psicoestratégia

Colaboração

Luiz Meirelles

1- A Psicologia, até o seculo XIX, era uma disciplina da Filosofia. No século XX, ganhou corpo próprio e até um certo afastamento. Atualmente, é notório entre os profissionais da Psicologia a busca da fundamentação filosófica. Em sua prática profissional você considera as várias correntes filosóficas ou se alia a alguma específica?

 

A filosofia, desde o inicio da sua história, se põe como reflexão sobre o homem, o cosmo e a vida.    A contribuição desta disciplina vem complementar a nossa formação como pessoas e psicólogos, pois ajuda a desenvolver um pensamento crítico sobre a nossa atuação, da mesma forma que alimenta a amplitude do nosso pensamento.

Além disso, vivemos hoje em um mundo globalizado e na era da internet, onde surgem com rapidez novas práticas clínicas e novas orientações ligadas às vezes a modismos e nem sempre baseadas em uma estruturação conceitual e metodologias claras.

Neste contexto podemos às vezes perder a raiz teórica, o senso crítico e o sentido da nossa própria atuação de psicólogos.

A psicologia, que por sua natureza beira o rigor da estatística e da ciência exata, e que em outros momentos se aproxima mais da reflexão espiritual, pode obter uma ótima orientação  através de uma boa formação filosófica que possa fundamentar e enriquecer o trabalho.

Neste sentido, acho interessante conhecer todas as teorias:  não vamos esquecer que a filosofia em geral ajuda a pensar e que o próprio Freud é considerado um filósofo, pela grandiosidade dos pensamentos elaborados em um sistema teórico complexo.

Obviamente cada boa prática, mesmo sendo  eclética, apoia-se em uma base teórica específica.

Na minha atuação, em particular, uso uma metodologia psicoetratégica, fundamentada na epistemologia de Gregory Bateson, antropólogo e epistemólogo, que com a Escola de Palo Alto revolucionaram o modo de pensar a Comunicação e a Ciência.

 

2- Segundo Thoreau, "Ser filósofo não é meramente ter pensamentos sutis, nem mesmo fundar uma escola..é resolver problemas da vida...na prática". Você considera possível uma Filosofia prática?

Algumas filosofias podem parecer, em uma primeira leitura, distantes do nosso cotidiano.

Esta complexidade de conceitos, às vezes desafiadora, se for abordada da forma correta pode tornar-se acessível e elevar a nossa capacidade de compreensão.

Todas as filosofias, práticas ou teóricas, estimulando uma reflexão sobre o conhecimento e abrangendo vários saberes (religião, arte, ética, psicologia etc.), podem de alguma forma ajudar a reestruturar as concepções que temos: de nós, do homem e do universo. 

E este tipo de estudo pode ser de enorme beneficio prático: acreditamos que na vida não há mudança prática significativa sem uma real compreensão e conscientização dos fenômenos, assim como, reciprocamente, não conseguimos uma compreensão dos fenômenos que nos acontecem sem a indução de uma mudança prática.

 

3- Como a filosofia e a psicologia podem contribuir, associadas, na prática, para uma melhor qualidade de vida?

Colocar na prática os valiosos ensinos de grandes pensadores e filósofos significa passar pelo “fator humano”, ou seja, por todas as teorias da mente, resistências e dinâmicas que possuímos. Entramos assim no campo da Psicologia.

A Filosofia nos fornece os conceitos e as teorias (que podem ser sobre conhecimento e sobre a ação do homem), já a Psicologia busca o bem estar das pessoas fornecendo as justas ferramentas estratégicas para uma mudança.

Neste sentido, a Psicologia voltada para a qualidade de vida não deveria prescindir de uma especulação mais profunda sobre de onde viemos e para onde estamos indo, como seres humanos e como indivíduos: assim as conquistas de uma disciplina se tornam enriquecimento para a outra.

 4- Tendo em vista que tanto a filosofia como a psicologia utilizam linguagem próprias, como traduzi-las numa linguagem acessível a todos?

 A linguagem da filosofia e da psicologia pode ser extremamente difícil, assim como pode ser de fácil acesso. Depende do motivo do estudo e da apresentação dos assuntos.

Temos, porém, uma dificuldade intrínseca nos conceitos das duas disciplinas, que muitas vezes não pode ser evitada.

Sem cair em uma banalização de teorias complexas, é possível dinamizar e adaptar a linguagem para o ouvinte, criando um debate ou rendendo os assuntos mais participativos.

Uma outra maneira é buscar elementos e dinâmicas que possam fazer refletir, a partir de grandes pensadores, traduzindo-os na prática de cada pessoa.

 

5- Qual a importância das psicoestratégias de vida no dia-a-dia? Os resultados podem ser percebidos a curto prazo? 

A Psicoestratégica é uma atitude que visa provocar uma mudança no nosso sistema/ambiente através de técnicas eficazes.

Entender o nosso objetivo real e usar ferramentas para desbloquear as nossas resistências às mudanças são o modus operandi das Psicoestratégias.

Contudo, entender só para entender não ajuda, precisamos concretizar as novas compreensões, assim como o fato de conseguir uma mudança na pratica na vida sem entender a mesma mudança, pode também não ser realmente eficaz. 

Os resultados práticos de desbloqueios são rápidos, em quase todas as circunstâncias, mas manter a mudança construtiva pode demorar mais tempo, dependendo do tipo de pessoa e de trabalho a ser feito.

 

Paradigmas 39

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Expediente

Revista Paradigmas

Filosofia, Realidade & Arte

Ano XII - n. 39

ISSN 1980 - 4342

Julho/Agosto – 2012

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A Interpretação de Hannah Arendt da proairesis aristotélica

 Adriano Martins Soler

Mestrando em Filosofia - PUCSP

Introdução

O presente artigo trata de uma releitura do texto exposto na primeira parte do Capítulo 2 – A descoberta do homem interior – do Volume 2 – O Querer (A vontade) – da obra A Vida do Espírito de Hannah Arendt. Depois do Pensar, é o Querer que é solicitado, para confiar o segredo antropológico da aberração que, certo destino histórico da modernidade, demonstrou através de uma nova crítica do juízo. Desta vez, Arendt vai em busca de uma genealogia das teorias da vontade - da proairesis antiga até Nietzsche e Heidegger, passando pelo pensamento medieval.

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A alegoria e o neoplatonismo

Julio Cesar Moreira

Mestrando em Filosofia pela PUC-SP

 

Este artigo é a segunda parte de um estudo e tem por objetivo realizar um levantamento no estudo do tema da interpretação alegórica nas doutrinas da escola Neoplatônica[1]. Ao estudarmos o Neoplatonismo é claramente apreensível o quão fundamental e intrínseco ao pensamento Neoplatônico é o componente da exegese alegórica, porém este tema não tem a devida atenção no meio acadêmico.

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 A significação do Baobá na cultura africana e suas transmutações ideológicas pós-contato europeu.

Vanderleia Barbosa da Costa

Graduanda em Gestão de Turismo

 pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo- Campus Cubatão

O Baobá é uma árvore originária das estepes africanas e regiões semiáridas de Madagascar, seu nome científico é Adansonia digitata; pode atingir até 30 metros de altura por 7 metros de circunferência. É resistente, sobrevivendo por longos períodos de estiagem, devido à sua capacidade de armazenar água, cerca de 120 000 litros e atinge até seis mil anos de idade. Pela magnitude e força, o Baobá é para muitas etnias africanas a árvore da vida.

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Teste seus conhecimentos

1. Segundo Plotino, podemos afirmar, quanto à alma:

a             Cada homem possui uma única alma, a qual é una e indivisível;

b             O homem possui duas almas, uma originada no Caos e outra no Cosmo;

c              O homem  possui duas almas, uma  causada  pelo   divino  outra  pelo   universo,     as    quais   se   unem definitivamente após a morte do  homem;

d             O homem possui duas almas, uma causada pelo divino  outra pelo universo, as quais se separam após a morte do homem.

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Filosofia com Pipoca

Filosofar pra quê?

Edson Pipoca

blogdopipoca.wordpress.com

 

 As pessoas dizem: “Filosofia é muito chata!” E é mesmo! Daqui imagino 10 coisas legais que poderíamos fazer em lugar de Filosofar. Ficar no facebook postando filosofia de beira de estrada; arrumar uma gata e... bem ... e ter filhos... e pagar pensão, e... ficar filosofando sobre e se eu tivesse usado camisinha? Bem, talvez não sejam 10, mas o troço é de pirar o cabeção mesmo. 

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Entrevista

Alexandre Rojas de Lima sobre a Psicoestratégia

Colaboração

Luiz Meirelles

1- A Psicologia, até o seculo XIX, era uma disciplina da Filosofia. No século XX, ganhou corpo próprio e até um certo afastamento. Atualmente, é notório entre os profissionais da Psicologia a busca da fundamentação filosófica. Em sua prática profissional você considera as várias correntes filosóficas ou se alia a alguma específica?

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Espaço-Poesia

Metáfora

Uma lata existe para conter algo

Mas quando o poeta diz: "Lata"

Pode estar querendo dizer o incontível

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