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Amor e felicidade segundo Aristóteles

(...) o homem feliz vive bem e age bem; pois definimos praticamente a felicidade como uma espécie de boa vida e boa ação.” (Aristóteles, Ética a Nicômaco, livro I,8)   

             Aristóteles define o homem como ser racional e considera a atividade racional, o ato de pensar, como a essência da natureza humana.

E como para ele: “O que é próprio de cada coisa é, por natureza, o que há de melhor e aprazível para ela (...) a vida conforme a razão é a melhor e a  mais aprazível, já que a razão, mais que qualquer outra coisa, é o homem. Donde se conclui que essa vida é também a mais feliz” (Op. cit., L.V, 1132b,15).

            Aristóteles nasceu em 384 a. C. na cidade grega de Estagira, na península da Calcídia. Era filho de Nicômaco, medico da corte de Amintas II.

            Para Aristóteles, na medida em que uma pratica, (habito) permite ao homem alcançar a finalidade desejada, será considera um bem. E os fins serão bens conquanto permitam a realização total da natureza humana, a sua felicidade. Entretanto em virtude da limitação própria da natureza humana não é possível alcançar a plena perfeição, desse modo, ainda que restrito as próprias limitações o homem busca por natureza ser feliz.

            E esta felicidade, que seria o perfeito equilíbrio entre dois extremos, a carência e o excesso, a mediania, o permanecer entre; seria o que se poderia considerar o amor. Aristóteles jamais se refere diretamente ao amor, tampouco desenvolveu, como Platão, um estudo especifico sobre a natureza ou origem dessa emoção, ou categoria intelectual, no melhor sentido aristotélico. 

Alcançar o equilíbrio é a finalidade da existência humana. Por natureza, o homem se organiza politicamente, elabora juízos de valor sobre bem e mal, sempre com vistas a felicidade que diz respeito a sua realizaçao pessoal. O homem, entretanto, é cidadão, possui duas dimensões indissociáveis: Ética e política. Como ambas são consideradas saberes práticos, ou seja, possibilitados pelo hábito, logo, a felicidade alcança uma dimensão pratica, uma dimensão de convivência. Segundo Aristóteles para ser feliz, o homem deve viver de acordo com sua essência, isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. E orientando os nossos atos para uma conduta ética, a razão humana nos conduz à prática da virtude.

            O homem é feliz se esta satisfeito consigo, quando ama desinteressadamente aos amigos, a amizade (φιλια), no sentido grego, é aquela convivência harmônica que reúne indivíduos afins em torno de um mesmo ideal, nesse caso uma vida virtuosa, já que a virtude é o principio ético por excelência, assim, os homens virtuosos buscam um só ideal: ser feliz, não feliz isoladamente, mas uma felicidade social, comunitária, os homens são felizes na medida em que praticam o amor, em sua forma ideal: a amizade.    

Para Aristóteles a justiça é a virtude moral por excelência. Equidade é a justiça por natureza. A ética aristotélica não é uma ética individual, mas social. O fim do homem é a felicidade e não apenas viver, o fim da cidade é o bem viver comunitário.

A ética aristotélica é finalista e relativista, ou seja, é relativa à finalidade; a ação tem um fim que está relacionado à atividade proposta, assim, o bem do artesão é bem fazer uma ferramenta, onde o bem consiste na perfeição. Logo, a perfeição do homem consiste em realizar plenamente, com justiça e ética, a atividade humana.

            A justiça, no sentido aristotélico, está ligada a política, ao bem comum da pólis e toda a questão do bem está ligada a questão dos fins, e o fim do homem é a conquista da felicidade (έυδαιμοпία).

            A maneira de  conviver entre os homens é o indicativo ético  dessa associação. Convivência ética essa que, sem dúvida, deverá ser praticada indistinta e constantemente por cada componente dessa associação. E esta ciência de conviver se chamou política e sua finalidade deve ser não a do individualismo  humano, mas a convivência na busca da felicidade, o que para tal é imprescindível à prática da ética.

Analisando os diversos sentidos em que a felicidade é compreendida, e que segundo a opinião unanime é o que os homens buscam alcançar em sua existência. Forçoso é concluir que ela coincide com o prazer decorrente da plena realização das virtudes inerentes à natureza humana. Quando o homem consegue aliar os desejos e as ações com o pensamento, agindo de acordo com a sua natureza e realizando os fins que lhe são próprios, alcança esse sentimento de realizaçao que constitui a felicidade e que vai alem da vitoria ou do prazer. E se a finalidade do homem é alcançar aquilo que lhe é de direito; a finalidade última do homem é a de ser feliz.

            Extraindo dessa verdade todas as conseqüências. A capacidade de constituí-la e de respeitá-la nos permite uma grande possibilidade, em que a partir do seu exercício, mostramo-nos capazes de chegar à mais alta excelência, a excelência moral. Onde o homem de bem, torna-se uma realidade. É  quando então alcançamos, no mais alto grau, a “causa final” do humano.            

            Ainda que, a felicidade (έυδαιμονια), não possa ser plenamente alcançada ja que semelhantemente a contemplação da Idéia do Bem em Platão, tal não é possível a natureza humana no plano sensível, ainda assim a finalidade do homem é ser feliz na medida do permitido, e como cremos, felicidade implica em realizaçao e plenitude; e essa plenitude, essa felicidade, seria o amor em seu sentido mais amplo.

            A pratica de atos virtuosos predispõe o indivíduo ao Bem, o homem deve ser o resultado harmônico da união entre razão e desejo, que vem a ser a causa da felicidade, a desmedida jamais será a causa da virtude, o fim ultimo visado será sempre a obtenção da felicidade, a busca da harmonia e proporção na justa medida. Assim, a vocação de todo homem, apesar dos “acidentes”, é ser feliz: e essa “potência” todo homem tem a capacidade de atualizar: todo homem Ama.            Para Aristóteles, “o bem é aquilo para o que todas as coisas tendem” e a felicidade é o bem ético por excelência, a finalidade da ação moral: “aquilo que torna a vida desejável e não carece de nenhum outro”, pois a felicidade é buscada por si mesma e não em vista de qualquer outrofim. Antes, os demais fins são meios para ela, assim, “consiste numa atividade da alma de acordo com a virtude (aretê) [...] e isto numa vida realizada plenamente [...], e assim, a felicidade não é obra de um só dia, nem de pouco tempo, mas de uma vida inteira” (0p. cit., livro I,10).

Dalva de Fátima Fulgeri

Licenciada em Filosofia- UNISANTOS

 

BIBLIOGRAFIA

ARISTÓTELES. SÃO PAULO: NOVA CULTURAL, 1987.

CHAUI, MARILENA. INTRODUÇÃO À ISTORIA DA FILOSOFIA. SÃO PAULO: CIA. DAS LETRAS, 2002.

 

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