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Artefato Cultural

Santos: história, memória e cultura

A cidade de Santos é uma das mais antigas em termos históricos e culturais do Brasil, da mesma forma que a maioria das cidades do litoral de São Paulo, pois estão inseridas no contexto histórico do início da colonização do Brasil, na primeira metade do século XVI.



Podemos dizer que todos os principais fatos e acontecimentos históricos da história do Brasil estão relacionados com a história da Cidade e da região: índios, piratas, escravos, economia relacionada à cana-de-açúcar e engenhos, sal, ouro, café, desenvolvimentos urbano, a luta pela abolição dos escravos e pela proclamação da República, a questão da cultura envolvendo teatro, dança, música etc, movimento operário no final do século XIX e primeiras décadas do século XX, golpe militar em 1964 e, principalmente, a luta pela autonomia após a intervenção militar.

Além disso, temos todo o patrimônio cultural da Cidade: edifícios históricos, conjuntos arquitetônicos do Valongo, Paquetá, Vila Nova, Vila Belmiro e os chalés do Macuco. Também as praças, lugares e monumentos, que são referências da nossa história. Temos, ainda, vários personagens históricos de fundamental importância: Brás Cubas, Alexandre e Bartolomeu de Gusmão, José Bonifácio de Andrada e Silva e seus irmãos, e, na Literatura, nomes como: Vicente de Carvalho, Martins Fontes, Ribeiro Couto, Roldão Mendes Rosa e muitos outros.

É bom lembrarmos, também, de todas as tradições e influências culturais que constituem a nossa cultura através da influência dos índios, negros e caiçaras. Apesar disso, a maioria das pessoas não tem a percepção da importância de Santos e região na História do nosso país. O que temos visto é que a maioria das cidades faz um discurso sobre a sua importância histórica e cultural, sobre o fato de ser uma estância balneária, mas, na prática, não existe uma preocupação efetiva com o seu patrimônio histórico e cultural. Na verdade, são poucas as cidades do nosso litoral que vêm tendo esta preocupação e vêm desenvolvendo um trabalho de recuperação de seu patrimônio cultural. Podemos citar: Santos, Praia Grande, Iguape, São Sebastião; mesmo assim, o que podemos perceber é que, na maioria delas, com exceção da cidade de Santos, os danos causados ao patrimônio edificado e aos acervos documentais e iconográficos são irreversíveis.

Existem cidades que, mesmo tendo o seu povoamento iniciado lá no século XVI, não possuem absolutamente nada de acervo documental ou de patrimônio edificado que seja referência  de algum período de sua história, isto porque foi sendo permitida a sua destruição gradativamente, em alguns casos pela ação do tempo, em outros, pela ação deliberada do homem, que não consegue entender a importância da história e da cultura para um povo.

Isto também acontece porque, infelizmente, não existe um debate ou uma discussão mais ampla sobre estas questões em nossa região. Podemos dizer que a maioria das instituições de nossa região que lida com a cultura não consegue estabelecer um debate mais abrangente. Ouso dizer que não conseguimos deixar de ser provincianos, como também não somos capazes de deixar de olhar para o nosso próprio umbigo, fazendo com que as questões relacionadas à história, memória e cultura deixem de ser pensadas de uma forma mais global. Não podemos esquecer que as histórias das cidades estão interligadas, portanto, não podem ser pensadas e trabalhadas de forma individual e particular. Esta situação faz com que exista uma falta de identidade cultural mais forte entre o nosso povo e sua cultura.

A proposta e o objetivo desta coluna é falar da história, memória e cultura das cidades do litoral de São Paulo. Nos propomos também a ser uma referência para o estudo e a pesquisa sobre as questões relacionadas à história e cultura das cidades de nossa região. Estaremos procurando ter, na coluna, artigos, bibliografia, textos históricos, orientação para pesquisa e principalmente teremos a preocupação de ser um instrumento onde a pessoas possam conhecer um pouco mais de nossa história, memória e cultura. Para desenvolver este trabalho, fomos adquirindo toda uma experiência através de mais de uma década de estudos e pesquisas sobre a cidade de Santos e as cidades da região, como também do trabalho profissional desenvolvido numa instituição de pesquisa durante este tempo, na Fundação Arquivo e Memória de Santos. Ao longo deste tempo, temos acumulado uma certa quantidade de material de pesquisa, textos e informações, que temos como objetivo socializar para que um número cada vez maior de pessoas possa conhecer o potencial de história, memória e cultura que as cidades do litoral possuem.

Temos também a intenção de, através deste site e desta coluna, estabelecer um diálogo e um debate com as pessoas que tenham um interesse verdadeiro de contribuir para o resgate, para a conservação e preservação de nossa história, memória e cultura. Não podemos deixar de lado aquele conceito de que um povo forte e desenvolvido é aquele que conhece o seu passado, que vivencia a sua cultura, criando as condições para que as gerações vindouras vivam num mundo e numa Cidade melhor.

 

                                                                                                    José Dionísio de Almeida
                                                                                                              Historiador

 

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Paradigmas 31

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Expediente

Revista Paradigmas, uma publicação do CEFS – Centro de Estudos Filosóficos de Santos

Edição 31

Ano VI - Março/Abril 2006

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