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Apresentação intuitiva da hipótese da equipolência entre identidade e diferença (HEID)

Introdução

Fruto de uma pesquisa ininterrupta em ontologia e meta-ontologia que já dura cerca de oito anos, este pequeno artigo reúne, de maneira intuitiva, os principais elementos envolvidos no resultado integral desta mesma pesquisa que consiste em nossa Tese de Doutorado, ainda em vias de acabamento.

Não deixa de ser uma troça do destino que tenham sido Pitágoras e Heráclito os primeiros a cunharem as palavras ‘filosofia’ e ‘filósofo’, pois, desde o início da história da filosofia, até os dias de hoje, duas orientações em ontologia, justamente que seguem de Pitágoras e Heráclito, vêm disputando pelo direto de empregá-las com maior legitimidade que a outra. Nos dias de hoje, esta disputa se insere na conhecida querela entre analíticos e continentais. Mais precisamente, ela apresenta-se como a disputa entre os filósofos chamados pós-estruturalistas (e seus precursores) e os filósofos de tradição analítica. Designamo-la: querela entre as ontologias da identidade e da diferença (OI e OD).

Para situarmos o leitor na querela aludida, constam como os que designamos ‘filósofos da identidade’: Pitágoras, aparentemente Parmênides, Platão, Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, Ockam, Descartes, Leibniz, Kant, com certas restrições Hegel, Russell, Wittgenstein, Alain Badiou, etc. De outra parte, constam como os que designamos ‘filósofos da diferença’: Heráclito, aparentemente Anaxágoras e Empédocles, os sofistas, os cínicos, com certas restrições os estóicos, também com certas restrições os místicos cristãos, tais como Nicolau de Cusa e Mestre Eckart, e, contemporaneamente, Nietzsche, Heidegger, Derrida, Deleuze, etc.

O objetivo geral de nossa pesquisa é mostrar que apesar deste antagonismo de mais de 2500 anos ambas as ontologias são “complementares”. A esta suposição, que visamos apresentar integralmente em nossa Tese de Doutorado, designamos: hipótese da equipolência entre identidade e diferença (HEID). O objetivo deste pequeno artigo é apresentar de maneira sumária e intuitiva a hipótese em questão.

1. Apresentação intuitiva das concepções de OI e OD

Para iniciarmos a apresentação da HEID tomemos um fato qualquer existente na Realidade e vejamos como OI e OD o compreendem para que possamos entender as bases conceituais de ambas as ontologias. O fato que escolhemos é o da relação entre o dia e a noite

Tanto para a ontologia da identidade (OI), quanto para a ontologia da diferença (OD), o Real é Uno-Múltiplo, isto significando: que ele é o diverso-relacionado, a relação-do-diverso, o incomum-comunicado, ou a comunicação-do-incomum. Segue-se disso, que tanto para a OI, quanto para a OD, Dia e Noite são eventos distintos que se relacionam. E supomos que essa concepção seja intuitivamente clara para todos nós. Não obstante, apesar de sua simplicidade, são fatos como esses que parecem guardar o mistério dos mistérios para todo o pensamento especulativo.

Tomando como princípio ontológico fundamental o princípio da identidade (PI), a OI considerará que Dia e Noite são entidades idênticas a si mesmas, i.e., entidades com limites próprios (de-finidas), e que, portanto, terminam em si mesmas. A imagem que podemos figurar para representar isto é a de duas esferas separadas. Alguns exemplos desta concepção podemos verificar largamente nos escritos de Platão, Aristóteles e Leibniz. Platão: “o problema do conhecimento da unidade é o das coisas que conduzem e que fazem a inteligência voltar-se para a contemplação do Ser”[1]. Aristóteles: “o Ente [Ser] e o Um são o mesmo e uma só natureza, pois se correspondem como o princípio e a causa”[2]. Leibniz: “O que não é verdadeiramente um ser, não é verdadeiramente um ser[3].

Por sua vez, tomando como princípio ontológico fundamental o princípio da diferença (PD) - também designado Diferença Ontológica, Diferença, Diférrance, Dobra, Aion, etc -, a OD considerará que Dia e Noite são entidades diferentes de si mesmas, i.e., entidades que não têm limites próprios, e, portanto, não terminam em si mesmas, de maneira, que Dia e Noite estão como que primariamente “ligados”. A imagem que podemos figurar para representar isto é a de duas esferas semi-abertas que se ligam uma à outra pelos pontos de abertura. Afirma Deleuze: “Duas séries heterogêneas convergem para um elemento paradoxal [Dobra, Diferença, etc] (...). Ele tem por função: articular as duas séries uma à outra, (...) fazê-las comunicar, coexistir e ramificar (...) assegurar a passagem de uma repartição de singularidade à outra”[4].

Em conformidade com a intuição ontológica de Heidegger, é preciso que a diferença em si mesma seja articulação e ligação, que ela relacione o diferente ao diferente sem qualquer mediação pelo idêntico, pelo semelhante, pelo análogo ou pelo oposto. É preciso uma diferenciação da diferença, um em-si como diferenciador, um Sich-unterscheidente, pelo qual o diferente é ao mesmo tempo reunido[5].

A título de esclarecimento, dizer que uma entidade difere de si mesma não significa, a princípio, uma contradição, mas, significa dizer que tal entidade é em devir, de tal modo, que nunca é idêntica a si mesma, mudando (diferindo) todo o tempo, jamais em uma condição determinada (de-finida), mas, sempre já de uma condição à outra, de onde se segue, que nenhuma termina em si mesma. Nos diz Heráclito: “somos e não somos” (frag.49)[6], e, também: “Em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo (...), nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança dispersa e de novo reúne (ou melhor, nem mesmo de novo nem depois, mas ao mesmo tempo) compõe-se e desiste, aproxima-se e afasta-se” (frag.91). Assim, fica estabelecido que o PD é o princípio do devir, cujo papel fundamental, pelo exemplo que estamos examinando, é o de viabilizar a passagem entre o Dia e a Noite:

Em sua mais originária formulação, a de Heráclito, o princípio do Devir afirma que “nada é igual, (...) tudo se banha em sua diferença, em sua dessemelhança e em sua desigualdade, mesmo consigo”, isto é, nenhuma coisa é igual a ela mesma, pois o tempo [Instante] carrega tudo em seu curso[7].

A ontologia de Deleuze é baseada nas concepções de diferença e singularidade que ele descobre em Bergson e Espinosa. A diferença bergsoniana define, acima de tudo, o princípio do movimento positivo do ser, quer dizer, o princípio temporal [Instante, Aion] de articulação ontológica e da diferenciação[8].

Por meio da noção de instante, podemos formular essas concepções ainda de uma outra maneira:

1. Para OD, no mesmo Instante em que termina o Dia, começa a Noite. E isso, não por que este Instante aparece como que num passe de mágica ao fim do Dia ligando-o à Noite, mas, porque Dia e Noite já estão ligados <<de saída>>: “O essencial é a simultaneidade, a contemporaneidade, a coexistência de todas as séries divergentes”[9]. Citamos Heráclito e Deleuze, como exemplos desta concepção:

Tempo (Aiôn) é criança brincando, jogando, de criança o reinado (frag.52).// Pois comum é princípio e fim na periferia de círculo (frag.103).// O deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome (frag.67).// Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira (frag.51).

Cronos é o presente que só existe, que faz do passado e do futuro suas dimensões dirigidas, tais que vamos sempre do passado ao futuro, mas, na medida em que os presentes se sucedem (...). Aion [Instante] é o passado-futuro em uma subdivisão infinita (...) que não cessa de se decompor nos dois sentidos ao mesmo tempo[10].

o instante é atopon, atópico [sem lugar]. Ele é a instância paradoxal, ou ponto aleatório (...) cujo papel é, primeiro, dividir e subdividir todo presente nos dois sentido ao mesmo tempo, em passado-futuro[11].

2. Para OI, por sua vez, em instantes diversos, maximamente próximos, termina o Dia e inicia-se a Noite. Citamos Russell, com o exemplo desta concepção: “O intervalo entre dois instantes quaisquer, ou duas posições

quaisquer, é sempre finito, mas, a continuidade do movimento nasce do fato de que, por mais próximas que estejam as duas posições consideradas, ou os dois instantes, há uma infinidade de posições ainda mais próximas, ocupadas por instantes que são igualmente mais próximos”[12].

Mas, se para a OI o Dia termina antes de começar a Noite, e a Noite começa depois do Dia ter acabado, parece não existir meios de Dia e Noite se relacionarem. A imagem que podemos figurar para representar isto é a de duas esferas separadas, uma branca representando o Dia, uma escura representando a Noite, e sua separação representando a indiferença entre o Dia e a Noite. Sobre essa indiferença (o “nada branco”), nos fala Deleuze, parafraseando Empédocles (frag.57): “A indiferença tem dois aspectos: o abismo indiferenciado, o nada negro, o animal indeterminado em que tudo é dissolvido - mas também o nada branco, a superfície tornada calma em que flutuam determinações não ligadas, como membros esparsos, cabeças sem pescoço, braços sem ombro, olhos sem fronte. O indeterminado é totalmente indiferente, mas as determinações flutuantes não deixam de ser indiferentes uma às outras”[13]. E, se para a OD, Dia e Noite são como que contemporâneos, articulados a um só tempo pelo mesmo Instante, parece não existir qualquer meio de ambos se distinguirem, pois, antes de terminar o Dia já seria Noite, e depois da Noite já ter começado, ainda seria Dia. A imagem que podemos figurar para representar isto é a de duas esferas semi-abertas, que se ligam pelos pontos de abertura, absolutamente cinzas, o que representa a indiferenciação entre Dia e Noite (branco e preto). Sobre essa indiferenciação, nos fala Aristóteles, criticando Heráclito, os heraclíticos e Anaxágoras: “E resulta, então, o que disse Anaxágoras, que todas as coisas se encontram juntas [confundidas], de maneira que nenhuma coisa existe verdadeiramente. Assim, esses filósofos parecem falar do indeterminado, e crendo falar do ser, falam do não-ser”[14]. Ora, se isso for correto, cumpre perguntarmos se seria uma mera coincidência que OI falhe exatamente onde OD tem sucesso e vice versa: 1. que PI estabeleça o diverso, mas, perca a relação entre eles, de maneira, que suas entidades aparecem como indiferentes umas às outras; e, 2. que PD estabeleça a relação, mas, perca a diversidade do relacionado, de maneira, que suas entidades aparecem como indiferenciadas umas nas outras ? Seria mesmo uma mera coincidência, ou seriam “complementares” as regências de PI e PD?

 

2. A intuição da HEID pelos filósofos da identidade e da diferença:

No diálogo O Sofista, Platão considera intuitivamente a existência dessa complementariedade entre PI e PD, mas, nunca consegue demonstrá-la, devido a sua decisão ontológica (e sobretudo epistemológica) por Pitágoras/Parmênides. Da mesma maneira, Nietzsche aparenta ter tido uma intuição semelhante, pelo cotejo entre as noções do apolíneo e do dionisíaco, mas, tal como Platão, nunca consegue demonstrar a complementariedade em questão, devido à sua decisão ontológica (e sobretudo estética) por Dionísio, i.e., por Heráclito:

Ao filósofo, pois, e a quem quer que coloque este bem acima de todos [a ciência, o pensamento claro, ou a inteligência], parece prescrever-se uma regra absoluta: recusar a doutrina da imobilidade universal, que professam os defensores, ou do Uno, ou das formas múltiplas [ontologia da identidade: Parmênides e Pitágoras], bem como não ouvir aos que fazem o ser mover-se em todos os sentidos [ontologia da diferença: Heráclito]. É preciso que imite as crianças, que querem ambos ao mesmo tempo, admitindo tudo o que é imóvel e tudo o que se move”[15].

poderíamos dizer, das figuras trágicas do palco helênico, mais ou menos isto: o único Dionísio verdadeiramente real aparece em uma pluralidade de figuras, sob a máscara de um herói combatente e como que emaranhado na rede da vontade individual. E assim, que o Deus, ao aparecer, fala e age, ele se assemelha a um indivíduo que erra, se esforça e sofre: esse, em geral, aparece com essa precisão e nitidez épicas, isso é o efeito de Apolo (...). Em verdade, porém, esse herói é o Dionísio[16].

Reiterando a mesma interrogação que fizemos, aliando às nossas análises anteriores essas intuições de Platão e Nietzsche, i.e., de um filósofo da identidade e de um filósofo da diferença, novamente questionamos: Seria mesmo uma mera coincidência que OI falhe onde OD tem sucesso e vice-versa, ou OI e OD não seriam efetivamente “complementares”?

Conclusão

Supondo que o Real é Uno-Múltiplo, ou seja, que o Real é: o diverso-relacionado, a relação-do-diverso, o incomum-comunicado, ou a comunicação-do-incomum, OI e OD parecem falhar ao tentar demonstrar essa hipótese, pois, pelos seus respectivos princípios ontológicos diretores (PI e PD), nenhuma das duas consegue estabelecer a uno-multiplicidade, na medida em que o PI parece ser apenas o princípio do diverso, e PD parece ser apenas o princípio da relação. Ora, mas, se é assim, então, parece bastante razoável a suposição de que ambas as ontologias efetivamente possam ser complementares. Esta suposição, que se torna ainda mais razoável, quando verificamos a existência de uma intuição dessa complementariedade nas obras de Platão e Nietzsche.

 

MICHAEL PONTES DE ABREU

(Doutorando em Filosofia, UFRJ)

 

Bibliografia

1. ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Valentín García Yebra. Madrid: Editorial Gredos, s.d..

2. Gualandi, A. Deleuze. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.

3. DELEUZE. Nietzsche e a filosofia. Trad. Antônio Magalhães. Porto: Rés, s.d..

4. DELEUZE. Diferença e repetição. Trad. Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

5. DELEUZE. Lógica do Sentido. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1998.

6. EMPÉDOCLES. ‘B - Fragmentos: Sobre a natureza’. Trad. José Cavalcante de Souza. Em: Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

7. HARDT, M. Gilles Deleuze, um aprendizado em filosofia. Trad. Sueli Cavendish. São Paulo: Ed. 34, 1996.

8. HERÁCLITO. ‘Sobre a Natureza’. Trad. José Cavalcante de Souza. In: Col. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

9. LEIBNIZ. Carta de Leibniz a Arnauld, abril de 1687. Em: GERHARDT (ed.). Die philosophischen Schriften von Gottfried Wilhelm Leibniz, 7 vols. Hildesheim: Georg Olms, 1960-1961.

10. NIETZSCHE. O nascimento da tragédia no espírito da música. Trad. Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

11. PLATÃO. ‘O Sofista’. Trad. Jorge Paleikat; João Cruz Costa. Em: Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1972, v.3, pp.135-204.

12. PLATÃO. A República. Trad. Elza Moreira Marcelina. Em: PIETTRE, B. (org.). Platão: A República, livro VII. Brasília: Ed. UNB e Ed. Ática, s.d..

13. RUSSELL. Scientific method in philosophy, 1926.

 



[1] PLATÃO. A República, VII.524-5, p.62.

[2] ARISTÓTELES. Metafísica, IV.2.1003b20, p.153.

[3] LEIBNIZ, p.97.

[4] Deleuze. Lógica do sentido, pp.53-4.

[5] DELEUZE. Diferença e Repetição, p.196.

[6] Todos os aforismos de Heráclito citados neste texto: HERÁCLITO. ‘Sobre a Natureza’. Trad. José Cavalcante de Souza. In: Col. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, pp.85-97.

[7] Gualandi, p.18.

[8] HARDT, p.173.

[9] DELEUZE. Diferença e repetição, p.206.

[10] DELEUZE. Lógica do Sentido, p.80.

[11] Ibdem, p.171.

[12] RUSSELL. Scientific method in philosophy, p.111.

[13] DELEUZE. Diferença e repetição, p.62.

[14] ARISTÓTELES, Metafísica, IV.4.1007b25, p.180.

[15] Platão. O sofista, 249c-d, p.179.

[16] NIETZCHE, p.18.

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