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Coluna do Leitor

Ética e Estética: que relação?

Pensando acerca da Estética e da Ética, preliminarmente,  é imperioso que se faça a distinção entre beleza e bondade. Não se pode confundir essas duas categorias, pois a primeira diz respeito à Estética, enquanto a segunda refere-se à Ética. Considerando, ainda, que os “argumentos convencem e os exemplos arrastam”, para corroborar a distinção supracitada veja-se o seguinte: uma faca é bela enquanto existe e pode ser, pois, apreciada, mas se é boa ou má, isso vai depender do uso que se fará dela. Fica claro, assim, que a beleza está afeta à existência da coisa, ao passo que a bondade, ao fim que lhe é dado.

Tendo em mente a noção de que “belo” é tudo aquilo que tem possibilidade de agradar a alguém, não custa concluir que tudo é belo, porquanto sempre apresentará a possibilidade de se conformar a alguém. Por outro lado, infere-se, também que nem tudo que é belo é bom e nem tudo que é feio  é ruim, vez que as noções de Bem e de Belo não se condicionam: uma não é causa da outra ou vice-versa. Elas co-existem simultaneamente. Dessa forma, dizer, por exemplo, que a “comodidade de uma casa é sua verdadeira beleza” é inócuo, porque uma casa sem comodidade, por mais precária que seja, não será casa. A comodidade é o próprio fim de uma casa. E a beleza de uma casa é ser casa.

Destarte, estabelecida a distinção e não necessariamente a separação, podemos então concluir que a união entre os dois conceitos – Beleza e Bondade, condicionando-os ao fim da coisa é evidentemente um lamentável equívoco pelo qual se enveredam muitas pessoas em nossa sociedade. Também não nos é permitido abstermo-nos, aqui, de abordarmos a questão do fim de uma coisa, haja vista que é realçado constantemente na vida em sociedade. O fim é uma das causas extrínsecas da coisa, como já ensinou Aristóteles, e portanto tudo que existe tem um fim, cabendo ao homem, em determinados casos, fazer o bom ou mau uso da coisa sem que, com isso, ela deixe ou não de ser bela. E na subjetividade da relação do homem com o mundo encontramos a Ética, que podemos entender como os princípios que devem ser seguidos para que sejam alcançados os melhores fins de cada ente.

Júlio Rozo

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Doutor em Filosofia – PUCRS; Mestre em Filosofia – PUCRS

Mestre em Educação Ambiental – FURG; Professor Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco; Professor do Programa de Pós Graduação Mestrado/UFPE; Membro da Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Câmara; Membro do Núcleo de Ciência e Cultura de Paz da UFPE

 

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