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Manipulação da Informação

Atualmente o sensacionalismo e o impacto nas informações, tornaram-se tão comuns quanto à competitividade que foi instaurada nos diferentes tipos de mercados.Porém, esse tipo de notícia incorre um agravante que não percebemos. A formação de opinião das pessoas fica, seriamente, comprometida.À medida que, o acesso à informação tornou-se cada vez mais rápido e fácil, sua qualidade e veracidade são postas a prova.Fico me perguntando – toda vez que uma situação noticiada se torna obscura e com entrelinhas em demasia – quantas verdades existem acerca deste assunto? Ou pior, será que se a verdade fosse integralmente relatada, valeria vários pontos no “IBOPE”?

Todos canais de comunicação enfatizam a pregação incondicional, de chavões tão conhecidos, que se tornam pilares dentro dessas organizações como, por exemplo: “Compromisso com a verdade”, “A verdade nua e crua”, “Está é a verdade”. Mas, sinceramente, acredito que, caso, esses pilares fossem realmente empregados (em seu verdadeiro sentido), muitos meios iriam a falência, pois, tornar-se-iam obsoletos – muitas vezes a veracidade dos fatos não causa o mínimo interesse, e não tem a menor graça! -.Por isso, é necessário “enfeita-los”, é preciso deixá-los pitorescos, ou seja, vendáveis. Mas em conseqüência disso, deixam uma nação na ignorância e na profunda ilusão do que realmente seria a verdade.

Mas não digo, somente, sobre os canais de comunicação! Digo que isso ocorre em nosso dia-a-dia, em nossas empresas, no meio político, nos relacionamentos entre homens e mulheres, em nosso círculo de amigos, nos discursos religiosos. Fantasiar e manipular são dons que os seres humanos possuem – mas como todo dom, pode levar a ruína de uma pessoa e até de uma sociedade -. Questiono-me, quem seria Willian Sheaskepeare, caso ele não tivesse, através de seus preceitos e convicções, fantasiado suas obras e seus pensamentos?Será que alguém já teria ouvido falar em Adolf Hitler, se ele não tivesse, com muita competência, através de manipulação, invocado um país a lutar a favor de uma causa insana, - que levaria a milhares de mortes e ao Holocausto -?Esses são dois pequenos exemplos, entre milhares de outros, do poder que a informação exerce sobre o mundo e sua persuasão sobre as pessoas e as causas que elas lutam.Talvez, por isso, haja tanto espaço e espectadores para o sensacionalismo. Acredito que esta situação cria uma miopia nas pessoas, que vêem isto como uma forma de válvula de escape para seus anseios e frustrações, desejos e necessidades.

Fico muitas vezes sem saber quantos lados existem de um mesmo acontecimento. Pois, cada ser humano traz, consigo, uma bagagem de vida, de cultura e experiências adquiridas em diferentes lugares e situações. Devido a isso, talvez, existam tantos “formadores de opinião”, manipulando e fantasiando, a todo hora, as verdades sobre as situações ocorridas.Pensem comigo!Creio, que, se em um simples jogo de futebol ao ser televisionado em rede nacional, fosse retirado o som, ou simplesmente a sua narração. Muitos torcedores de uma mesma equipe teriam percepções diferentes de um mesmo lance polêmico, sobre um jogador, e até mesmo sobre a competência de sua equipe durante a partida.Mas, isso não ocorre!Ao conversar com as pessoas após as partidas, a maioria, possuí a mesma opinião ou muito semelhante. Esse tipo de manipulação acontece sempre, e nem nos damos conta, talvez, por darmos a desculpa de que esse tipo de assunto não tem tanta importância. Agora, imaginem uma noticia, realmente, importante como: o real motivo da morte de PC Farias, ou ainda, sobre as mortes de Eldorado dos Carajás, ou pior, o que teria acontecido, verdadeiramente, no Pavilhão 9 no Carandiru? Essas respostas, entre outras, ficaram vagando no ar, sem que se obtenha uma fonte concreta e confiável para lhe sustentar e dar credibilidade.

Por quantos crivos passam uma notícia? As fontes da Reuters, do Estadão, da mídia em geral, são confiáveis?É sempre bom lembrar aquele velho, mas verdadeiro ditado: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Quantas vezes, nós mesmos, aumentamos um pouco um fato para ilustrá-lo melhor, muitas vezes não por maldade, mas sim para dar credibilidade ao assunto que achamos de suma importância?Isso é do ser humano, e ocorre todos os dias, a cada segundo na Internet, nos jornais, nas Tvs, nos rádios.

A busca, incessante, frenética e doentia, pela audiência, pelas vendas de cotas e anúncios, desfragmentou algo de muita valia nas pessoas – A VERDADE! -.Hoje, uma fofoca, sobre uma celebridade, traz muito mais retorno sobre o investimento, do que os deputados federais e senadores fizeram em prol do país. O corrompimento das pessoas ligadas às notícias mostra que, infelizmente, o dinheiro e os business prevalecem acima do bem e do mal. O importante é, somente, a doença chamado lucro. Não importando o como ele venha, desde que venha – não sou contra o lucro, nem contra o dinheiro, muito menos o capitalismo, mas prefiriria que isso ocorresse de maneira lícita, sem manipular e enganar, que os levam isso às empresas. Nós! -.

A cada dia que passa, fico mais decepcionado ao ver as pessoas do nosso querido país, discuntindo sobre o final da novela das oito! Ou, se o garoto Gil Rugai matou, ou não, seu pai – não que isso seja algo fútil, porém isso ocorre todos os dias. Será que se ele não fosse de classe média alta haveria tanta cobertura jornalística? -.Mas, quando se trata de algo, realmente importante, como: o aumento, ridículo, de R$ 20,00 reais no salário mínimo, ou, se existem armas de destruição em massa (biológicas) no Iraque – fato que muitos não dão a mínima importância, não entendem a complexidade de uma nação como os EUA mentirem para poder invadir um país, e depois desfrutar dos benefícios de reconstruí-lo -.Não vejo esse tipo de preocupação, muito menos em se mobilizar, discutir, fazer valer sua cidadania. Com isso, me pergunto se essa é a tão sonhada e lutada democracia, vislumbrada por pessoas como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Luiz Inácio Lula da Silva, Orestes Quércia, entre outros. Pessoas que discursavam sob palanques reunindo multidões, levantando e massageando o ego de uma população, triste e cabisbaixa, mas quando tiveram a oportunidade de concretizar algo real, enquanto estiveram no poder, apenas se omitiram aos fatos, ou pior, abriram brechas (em formato de leis) para que fosse instaurado a corrupção, a manipulação. Por isso, vejo que a democracia, em nosso país, vale, apenas, para quem detém o poder de manipular, seja ele através de informação, dinheiro ou poder.Quem me dera ter uma democracia como a da África do Sul – considerada a melhor democracia do mundo -. Viva o Sr. Nelson Mandela!

Tenho plena convicção que, se nossa mídia fosse imparcial e transparente, e tivesse o compromisso, ético, do bem em comum, nosso povo teria um pouco mais de opinião, e não aceitaria, tão passivamente, o que lhe fosse imposto.Tão quieta e tão desesperançosa. Sou obrigado, neste ponto de vista, a concordar com Ricupero, que diz algo sobre a ignorância das pessoas, que tem esse sentido: “De nada adianta vencer através do capital, das posses de terra ou da força de trabalho, enquanto a maioria das pessoas viverem mergulhadas em um mar de ignorância. Somente através de debates ideológicos, baseados em conhecimento, chegaremos a um ponto em comum e sólido para resolução dos problemas que atormentam o mundo. Pois o mundo muda quando as pessoas mudam”. Isto soa como um discurso já pregado dezenas de vezes, mas, só escutá-lo não adianta, é preciso compreendê-lo e colocá-lo em prática.

Tendo em vista esse fatos, fica sugestivo entender o motivo pelo qual nosso cotidiano se torna tão vulnerável as especulações, e o por que nossa economia se torna tão frágil às intervenções dos países que detém a soberania da influência.Talvez, toda nossa realidade seja manipulada e fantasiada, situações estas que são plantadas para nos cegar do que realmente importa. Por que se importar com R$ 20,00 reais de aumento do salário mínimo, 12,3% de taxa de desemprego, um dos maiores spread's bancários do mundo, com 25 milhões de analfabetos, 45 milhões de pessoas abaixo da linha miséria (“linha da miséria”, gostaria de saber quem criou essa nomenclatura para definir as classes da sociedade para seres humanos), se o importante é mostrar que a inflação está controlada, que o superávit primário é o maior desde 2001, que o juro, medido pela taxa SELIC, é o menor desde 1999.Sendo que, todas essas informações são jogadas e a grande maioria das pessoas não está preparada para absorver e entender, e muito menos fazer uma avaliação crítica da real situação do momento, complexo e complicado, que enfrentamos.

De nada adianta estarmos na era do conhecimento e informação, se somos manipulados e incapazes de discernir o certo do errado, de termos opinião própria. Como cidadão, um apaixonado pelo meu Brasil, defensor da democracia de da liberdade de expressão, reivindico aos formadores de opinião, políticos, jornalistas, repórteres, meios de comunicação, mais responsabilidade, clareza e verdade ao emitirem as noticias, pois de nada está adiantando deixar a população na ignorância.Não deixemos o Brasil na ignorância!Lutem!Persistam! 

Obs: Em tempo, não sou um revolucionário, comunista, socialista, líder espiritual, ou afins, apenas estou farto!

Thyago Ney Augusto

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38. EDUCAÇÃO E EXISTENCIALISMO: um diálogo possível entre Freire e Sartre
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EDUCAÇÃO E EXISTENCIALISMO: um diálogo possível entre Freire e Sartre

 José Alan da Silva Pereira

Graduado em licenciatura plena em filosofia pela faculdade de filosofia, ciência e letras de Caruaru – FAFICA. Atualmente mestrando em filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

1. Introdução

 

          No prefácio para o livro Pedagogia do Oprimido, o professor Ernani Maria Fiori traz um dos testemunhos mais contundentes e uma das frases mais elucidativas sobre a personalidade educadora de Paulo Freire: “Paulo Freire é um pensador comprometido com a vida: não pensa ideias, pensa a existência” (FREIRE, 2005, p. 7). Ao ler tal sentença, percebemos a partir de onde um diálogo pode ser estabelecido entre esses dois gigantes do pensamento contemporâneo, a saber: Freire e Sartre.       

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