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Observador Macroeconômico

O Problema central

O problema do desemprego e da violência que vem afligindo de forma crescente a sociedade brasileira e, em particular, os moradores das grandes cidades, está intimamente relacionado com a mudança estrutural sofrida pela economia nos últimos 30 anos. Desde o final dos anos 70 prioriza-se no Brasil o investimento que utiliza muito capital intensivo e pouca mão-de-obra. São setores como o do aço, da petroquímica e da celulose, que requerem bilhões de dólares em investimentos e geram pouquíssimos empregos em relação ao capital investido. Segmentos que absorvem o trabalho humano em larga escala, como o têxtil, o de confecções e, principalmente, o da construção civil, deixaram de receber atenção governamental e estagnaram ou retrocederam,  excluindo milhões de trabalhadores do mercado formal, com as conseqüências obvias: precarização do mercado de trabalho, diminuição progressiva da renda e desestruturação do tecido social. Esse quadro é infinitamente mais grave na periferia das regiões metropolitanas e o resultado mais tangível dessa equação é o aumento explosivo da violência, levando toda a sociedade a um profundo mal-estar e os governantes a uma sensação de impotência diante dos fatos.

A solução, ao contrário de grande parte do pensamento corrente, não está no agigantamento do sistema carcereiro ou no aumento da repressão policial, pois a violência no Brasil é um problema econômico. Devem–se urgentemente redirecionar todos os recursos disponíveis para alavancar mão-de-obra em larga escala, como o  saneamento básico e o habitacional. Com medidas como essa, gerar-se-iam milhões de novos empregos, solucionar-se-ia o déficit de moradias e de saneamento, e teríamos uma redução significativa da violência urbana: isso desanuviaria o ambiente social e permitiria encurtarmos o caminho para o estabelecimento de uma sociedade mais fraterna, que é o anseio de todos os brasileiros.

Valter Pereira Appas

 

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