AddThis Social Bookmark Button

Coluna do Leitor

Alguns aspectos da nova ordem mundial

O momento que o mundo está atravessando é inegavelmente especial. É o momento de consolidação, não sem dor, da Nova Ordem Mundial, em que antigas estruturas sócio-econômicas e também políticas, estão sendo desmanteladas. Algo muito mais profundo e complexo do que o processo de transição da Idade Média para a Idade Moderna, porém tão antigo quanto.

Gradativamente, teremos a substituição do Estado-Nação pelo Estado-Mercado,  consolidando a globalização do capitalismo selvagem, que acabará por fincar sua bandeira no coração das utopias socialistas. Talvez não venha a ser, ainda, o golpe de misericórdia na esperança de uma sociedade justa e igualitária, pois em muitas regiões do planeta, as diferenças sociais ainda estão a séculos de serem reduzidas, mas o fato é que a estrutura de um Estado-Mercado e apolítico proporciona a ilusão de podermos realizar nossos maiores desejos individuais, equacionados pela lógica do mercado que tem na publicidade seu braço ideológico, que transforma tudo em mercadoria, necessidade vital e sonho de consumo.

Aonde tudo isso nos levará é uma incógnita. Porém alguns efeitos já fazem parte de nosso cotidiano. A lógica do mercado é excludente, vence o mais forte, e nem sempre o mais competente, e o mais forte é o que detém o poder do capital ou o que detém o poder das armas e ambos estão cada vez mais unindo forças, gerando insegurança e obrigando-nos a fazer um caminho inverso em nossa jornada evolutiva: estamos retornando à mítica caverna de Platão, um cenário brilhantemente retratado por José Saramago em sua obra “A Caverna”, que analisa a desestruturação da vida de um artesão diante das novas exigências do mercado representado por um grande centro comercial, ou seja, os shopping centers, tão comuns hoje em nossas cidades, e que nos seduzem com o conforto, a segurança e com a facilidade de nos oferecerem quase tudo o que “necessitamos”.

Talvez a face mais cruel desse processo resida no fato de que a criatividade humana esteja com seus dias contados. O exemplo mais latente é o da indústria cultural e seu produto, a cultura de massa, que sufoca e destrói a cultura popular reduzindo seus espaços de manifestação, impondo as regras do mercado aos artistas e acabando com a espontaneidade da expressão artística, gerando assim uma cultura que não é fruto de uma reflexão, de uma busca e de um talento inato, mas que tem como único objetivo o lucro. Não é arte, é apenas produto descartável, perecível, que jamais se inscreverá na memória, mesmo de quem a consome.

O próprio saber e a busca de conhecimento, vêem-se atrelados à necessidade das indústrias em seus respectivos campos de atuação. A vida pragmatizou-se, as escolas preparam os alunos para os vestibulares e as faculdades os preparam para a competitividade do mercado de trabalho. Enquanto isso, valores humanos que até pouco tempo nos eram caros, hoje são esquecidos, removidos como entulho que atrapalha o caminho daqueles que querem “se dar bem na vida”. A Nova Ordem, construída pelas teorias neoliberais, prevê uma outra ética e a amoralidade em detrimento do lucro.

Diante disso, pode-se constatar que o futuro foi um sonho que nunca nos coube, que o futuro nem ao menos a Deus pertenceu, mas esteve sempre nas mãos dos deuses da guerra e dos deuses do comércio, unidos em uma cilada para nos capturar.

 

Luiz Antonio Canuto dos Santos

Professor de História,

Poeta e Escritor.

 

Home      Capa

  • leiamais

Leia também outros artigos

Entrevista com Fábio Alberti Cascino
AddThis Social Bookmark Button

Entrevista

Fábio Alberti Cascino

Colaboração
José Sobreira de Barros Júnior

Leia mais...
Entrevista Márcia Heloísa
AddThis Social Bookmark Button

Entrevista

Márcia Heloísa

Educadora e Filósofa

 

Tema: Filosofia com Crianças!

 1. Márcia, como nasceu esta experiência?

A filosofia com crianças nasce de estudos filosóficos e experiências educativas empreendidos pelo filósofo e educador norte-americano Matthew Lipman.

Leia mais...
41. Espaço-Poesia. Quinhentos Anos de Quê?
AddThis Social Bookmark Button

Espaço-Poesia

Quinhentos Anos de Quê?


Eram três as caravelas
que chegaram além d`além
mar.

Leia mais...
37. concepções educacionais em Vygotsky e Foucault
AddThis Social Bookmark Button

AS CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS EM VYGOTSKY E FOUCAULT

PAULO DIAS GOMES

Filósofo, Teológo, Doutor em Ciências da Religião e Especialista em Docência do Ensino Superior e em Educação à Distância.

Professor titular da Cadeira de Fenomenologia e Existencialismo, Lógica e Metafísica da Faculdade Phênix de Ciências Humanas e Sociais do Brasil

 

Lev Semionovitch Vygotsky Nasceu em 17 de Novembro de 1896 na cidade Orsha – Moscou. Pensador importante, foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais (e condições de vida).

Leia mais...
41.A arte como fator de existência em Neusso Ribeiro
AddThis Social Bookmark Button

A arte como fator de existência 

Uma análise da obra do artista plástico Neusso Ribeiro

Regina Drumond Moraes

Curso de Filosofia da UFES

Este artigo tem como objetivo explicar e analisar a obra do artista plástico autodidata Neusso Ribeiro.

Leia mais...