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Editorial

REBELIÃO DAS MASSAS ?

         O título que colocamos neste artigo não é novo, foi utilizado por um filósofo francês em meados dos anos sessenta, começo dos anos setenta. Porém, ele apresenta bem a concepção do que vamos enfocar neste texto sobre a questão da Guerra USA x Iraque. Temos observado muitos artigos, ainda no calor dos acontecimentos – uns mais parciais do que outros – tratando sobre o assunto; vamos, porém, apresentar uma outra questão, que é, em nossa visão, fundamental e fruto do processo de guerra.

         Toda idéia, e por relação todo fato presente na realidade, trás em si uma contradição, isto é, seu oposto; assim sendo, nesse conflito isso também ocorre, e alguma coisa, algum dado aproveitável podemos tirar desse lamentável massacre que sofreu o povo iraquiano em seu território, perpetuado pelas forças anglo-americanas, em nome da sua “libertação” de um regime sabidamente tirânico.

         Hoje, aliás, podemos dizer que oficialmente o Estado Iraquiano não existe, assolado por multidões desordenadas que saqueiam e roubam, diante da passividade das forças de ocupação - libertação?- as grandes cidades como Bagdá e Basra, não têm um governo oficial legítimo e a própria direção política militar ditatorial existente no período de guerra desmantelou-se diante da tomada da capital e dos grandes centros urbanos.

         Parecendo mais preocupados com as conquistas militares do que com o que ocorreria ao final dos conflitos, ingleses e americanos passivamente assistiram a tudo e, claro, protegeram as refinarias de petróleo; porém, pouco fizeram no sentido de proteger as riquezas da cultura milenar iraquiana, saqueadas, segundo informações, por profissionais.

         Mas dizíamos que essa guerra demonstrou ou está demonstrando alguma coisa diferente, e este contrário não está na devastação proporcionada pelas tais bombas “inteligentes”, nem pelo armamento sofisticado dos soldados das forças de invasão anglo-americanas. Vamos chamar a atenção para os protestos contra a guerra e agora contra a invasão.

         O aspecto político financeiro da guerra já foi muito debatido; basta ver as companhias que sem concorrência estarão encarregadas da reconstrução para perceber os objetivos amplos da “libertação” do Iraque, e também o desprezo da ONU por parte do Império (antigo Estado nacional) das grandes corporações industriais americanas e seus representantes; é fato notório e claro lastimável em todos os sentidos possíveis.

         Porém, enquanto alguns comandantes americanos anunciam a quarta guerra mundial –contra o terrorismo – é fundamental ressaltar o que aconteceu quanto à participação popular em protestos contra guerra, quando milhares de pessoas – e não só no mundo muçulmano, o que é importantíssimo – saíram as ruas na Europa, nas Américas, Ásia, Oriente e Austrália, lutando para deixar clara sua contrariedade à guerra.

         Até mesmo nos Estados Unidos, duzentas mil pessoas, segundo os organizadores, marcharam em Nova York, conflitos ocorreram em Chicago e San Francisco, e isto ocorria em plena guerra; já aconteceu antes, alguns dirão; sim, na guerra do Vietnã os protestos também ocorreram, mas já no desenrolar do processo, depois de muitos soldados já terem morrido.

         O que se desenvolveu agora na Europa e EUA tem um quadro diferenciador, pois se desenrolou antes e intensificou-se no começo das atividades bélicas. O determinante? Partidos organizados, dogmáticos à frente das manifestações? Não; podiam lá estar, junto com outras organizações revolucionárias, anarquistas e etc, mas o grosso do processo catalisador das manifestações (como a que levou mais de trezentas mil pessoas as ruas de Barcelona), são as organizações espontâneas da população, os chamados cidadãos.

         Este é o elemento novo nesse conflito, enfrentando uma série de diversidades, aparatos repressivos estatais, uma mídia adversa às suas opiniões, milhares de pessoas deslocaram-se de seus lares para, nas ruas, mostrarem a sua insatisfação, antes pela possibilidade da deflagração do conflito, depois, pelo próprio processo de invasão.

         Não bastasse isso, notícias de Bagdá mostraram que, espontaneamente, a população local tem se organizado para caçar os saqueadores e os produtos saqueados, fazendo parecer, diante da passividade dos “libertadores”, que os membros da população, de uma forma autônoma, estariam sim se libertando, de quase trinta anos de sanguinária ditadura e de certa maneira dos invasores. Contudo, qualquer manifestação de poder organizado é imediatamente barrada, ficando bem evidente com quem está o poder.

         Portanto, esse conflito mostra algo mais do que o simples pacifismo das massas, mas quem sabe, uma tênue indicação de que o ser humano ainda pode resgatar sua autonomia, libertar-se da alienação, assumir um novo papel, que nenhuma força militar possa deter: a tomada consciente de posição.

Será fundamental perceber, daqui por diante, os próximos passos, porquanto existe um clima de rebelião, de um existir mais pleno possível diante dos grandes acontecimentos. As decisões de gabinete dos Presidentes, dos Generais, os novos protetorados, o neo-imperialismo em marcha parecem não convencer tão facilmente quanto os defensores desse sistema vitimário pensam.

Agenda

Palestra:

A Pedagogia crítica de Vygotsky

Dia 07/06, às 15 horas

 

Prof. José Sobreira de Barros Jr

Mestre em Filosofia-PUC/SP

Entrada Franca: vagas limitadas

 
Cursos livres

Introdução à Filosofia Antiga

 R$20,00/mês

==

Filosofia da Libertação

R$40,00/mês

==

Introdução à Filosofia Contemporânea

R$20,00/mês

==

Filosofia da Arte

R$40,00/mês

 

Inscrições:

Tel. (13) 3252-3319 (CEFS)

Rua Júlio Conceição, 206, V. Mathias, Santos/SP


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Expediente

Jornal Paradigmas, uma publicação do CEFS – Centro de Estudos Filosóficos de Santos

O CEFS é uma entidade sem fins lucrativos, que tem como objetivo fundamental levar a Filosofia a toda a sociedade, sem qualquer discriminação, contribuindo, assim, com a formação da consciência crítica do cidadão e propiciando-lhe, por conseguinte, melhor reflexão e atuação diante da realidade de que faz parte.

Presidente

Luiz Meirelles

Vice-Presidente

Ronaldo Ronil da Silva Jr.

Conselho Editorial

Cristiane Guapo / José Sobreira Barros Jr 

Luiz Meirelles

 Jornalista Responsável

Beth Capelache

Mtb.: 2.383.802

 Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião do CEFS.

 CEFS

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Telefone: (13) 3252-3319

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Tiragem: 1.000 exemplares.

Impressão

CEGRAF Gráfica e Editora Ltda

Tel. 3234-5170 -  3234-5136

Dicas

Leitura:   O saber dos antigos: terapia para os tempos atuais / Giovanni Reale / Ed. Loyola:  este livro faz uma espécie de itinerário dos males que nos afligem hoje, mostrando como o saber antigo pode curar o mal-estar contemporâneo. Essas terapias, podem não curar, mas talvez aliviem a dor e o desespero atuais.

Internet: http://geocities.yahoo.com.br/kina1205br/index.html

O site FILOSOFIA VIRTUAL propõe-se a divulgar o pensamento filosófico através de textos, testes, fórum, revista e outras formas de interações apresentadas

Filme: Um Estranho no Ninho. Ganhador de cinco Oscars, tem interpretações magistrais de Jack Nicholson e Louise Fletcher. Um paciente cumpre pena em instituição psiquiatrica. Revoltado com o tratamento, incita os doentes à rebeldia. Dirigido por Milos Forman, o filme tempera momentos divertidos e atemorizantes.

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Colaboração: Luiz Meirelles

 

1.       Como você vê o papel da filosofia na sociedade do século XXI?

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Doutor em Filosofia – PUCRS; Mestre em Filosofia – PUCRS

Mestre em Educação Ambiental – FURG; Professor Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco; Professor do Programa de Pós Graduação Mestrado/UFPE; Membro da Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Câmara; Membro do Núcleo de Ciência e Cultura de Paz da UFPE

 

Não há dúvida que nosso tempo é singular e porque não dizer frágil. A esperança de um mundo mais digno e ético e a idealização de uma sociedade mais justa baseada no progresso científico, econômico e tecnológico, não mais se sustentam e isso nos leva a um interim,

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