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Coluna do Leitor

Felicidade, Esperança e Resignação

Um dos problemas mais amplos da atual realidade é a atitude generalizada de comodismo e omissão das camadas populares. Consciente ou inconsciente, elas constituem uma filosofia das “camadas oprimidas”, que se expressa em claros sinais de resignação frente à situação social opressora. Entretanto, é mista de felicidade-esperança. Será mesmo? Vejamos.

Todos os homens buscam a felicidade. Este é o motor universal que coloca em movimento todas as ações humanas. Todas as ações dos homens, grandes e pequenos, pobres e ricos, negros e brancos... Todos seus anseios e obras são impelidos pela busca e vivência da felicidade. Esta felicidade, porém, é sustentada pela esperança, olhar que se volta para um porvir distante. A esperança é uma atitude essencial para a vida do homem, pois consiste no desejo de um bem futuro e sua tensão está toda voltada para alcançá-la. Viver é adentrar no futuro. Esta esperança é mista de alegria e de realização e irrealização; eis a grande pergunta: Devo me conformar ou resistir? O coração humano está sempre sonhando com um mundo sem dor, pleno e com todas as suas necessidades satisfeitas, um mundo de felicidade. Mas, em que consiste a felicidade?

Aristóteles inicia a sua obra “Ética a Nicômaco”  reconhecendo que o objetivo primeiro da vida, que todos almejam, não é a bondade pela bondade, mas a felicidade.

“Porque escolhemos a felicidade por ela mesma, e nunca com vistas a qualquer coisa além dela: ao passo que escolhemos a honra, o prazer, o intelecto... porque acreditamos que através dessas coisas seremos felizes.”1

Para Santo Tomás de Aquino, que irá de uma certa maneira completar o pensamento de Aristóteles, “A felicidade é dupla: uma imperfeita e é tida nesta vida; a outra é perfeita e consiste na visão de Deus.” 2

Martin Buber, em sua obra “Eu e tu”  procura levar os homens a descobrirem a realidade vital de sua existência a abrirem os olhos para a situação concreta em que estão vivendo, sustentado pela esperança de atingir o fim, pois “ sem esperança não se encontrará o inesperado, inacessível e não encontrável “ como já afirmava Heráclito; “que vem a ser um profundo espírito de comunidade, o amor como elemento fundamental, a inter-relação no autêntico inter-humano – alegria entusiástica”. 3O que podemos deduzir, a felicidade – o novo sentimento de relacionamento com Deus, com o mundo e dos homens entre si.

Já Ernest Bloch, radicalizando Aristóteles – pois o vê como o primeiro filósofo materialista e dialético – usa em sua obra Princípio da esperança de forma sistemática, o humor, que deve manter nesta busca engajada, séria, dedicada, “um clima geral de alegria difusa, sinal frágil, mas real da “felicidade” que já paira sobre o destino do homem que realmente busca a verdade”. 4

Comparando os quatro filósofos, percebemos uma evolução gradativa na concepção do que vem a ser felicidade.

Paulo Leandro Maia

Mestrando em Filosofia PUC/SP

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1 ARISTOTELES, Ética á Nicômaco1,7 p.125

2 AQUINO, S. Tomás de; Suma teológica I-II p.4, a.5

3 BUBER, Martin,  Eu e Tu, Introdução p. XXXIX

 

4 BLOCH, Ernest, Princípio da Esperança, em FURTER,  P. Dialética da Esperança, Cap. I, 1.4 p. 37

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