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Ideologia e Linguagem

        “A ideologia emerge das instituições em geral: escola, família, Estado, religião, associações para fins diversos, empresas, as quais estabelecem normas para as relações sociais. Por meio de agentes definidos –políticos, professores, pais, padres, pastores-, a ideologia manifesta seu discurso a funcionários, alunos, empregados, filhos e leigos. Fala sobre as coisas, as situações, interpretando-as”.(Marilena Chauí, in Convite a Filosofia – Ed. Ática).

         A ideologia é, pois um processo de embaralhar o conhecimento. A ideologia opera de modo contraditório. Atua no sentido do conhecer e do desconhecer. Jamais explica tudo, apenas pretende que nos contentemos com meias-verdades. O processo ideológico pode apresentar-se de uma maneira restrita (um grupo de pessoas defendendo uma certa idéia), ou ampla, quando intelectuais ligados às estruturas de poder desenvolvem idéias que rapidamente serão defendidas por todos. De muitas maneiras podemos afirmar que a ideologia estará manifestando-se.

         Os discursos ideológicos, como afirma a filósofa Marilena Chaui, são envolventes e convincentes, mas cheios de vazios – trata-se do discurso LACUNAR. Esse discurso não fornece as explicações verdadeiras. Permanece na constatação do fato ou preso em uma linguagem obscura. Por ser lacunar, esse discurso camufla as intenções predominantes em determinadas situações. Sem esclarecer a realidade das condições sociais, a ideologia justifica por que a sociedade é assim e não de outro modo. Valendo-se de explicações dos dominadores, a ideologia procura desqualificar o discurso das camadas mais populares; tudo, na verdade, que é ligado a estas camadas, é  visto como ultrapassado ou “brega”.

         A ideologia procura assim legitimar a ação de aceitação de certas posições sociais e políticas, por meio de uma linguagem, como por exemplo;  quando a linguagem atua neste sentido no caso das abreviações, tipo : ONU, OTAM, FHC, MST, PC e outras .

         Isto ocorre por conta da necessidade da ideologia de não permitir uma aproximação com o todo, com o contexto formador da realidade que a linguagem  - via processo ideológico – encobre.

        “Sem deixar que os sujeitos envolvidos nas ações se manifestem espontaneamente, a ideologia abafa a essência dos acontecimentos (discurso das coisas), valorizando a APARÊNCIA dos acontecimentos, a interpretação (discurso sobre as coisas)”.(Chaui, in Convite à Filosofia, p.175-Ed.Ática)

          Para o filósofo Claude Lefort, a ideologia toma o lugar do verdadeiro saber. O mecanismo fundamental para que tudo isso possa ocorrer é a linguagem, o discurso que se refere aos fatos. Desqualificar a linguagem do oponente social sempre será um fator fundamental para o debate ideológico. O mais interessante é que, apesar de vivermos um período bem ideológico, muitos teimam em afirmar que a ideologia morreu!

         Porém, basta ver nossa mídia escrita e pronto, a tal morte não aconteceu e o fantasma ideológico ronda o real sempre de uma maneira lacunar, sutil.

         O que ocorreu e como foi retratado o caso da Venezuela de Hugo Chaves, chega à beira do ridículo! O que a chamada “grande imprensa”, tão ciosa de sua “neutralidade e imparcialidade”, demonstrou é terrível. Também é a prova de que a população precisa abrir os olhos para a imprensa “chapa branca” (principalmente em um ano eleitoral) e perceber que não só deve procurar tornar possível uma imprensa paralela, como, também, desmistificar o ideológico que existe por trás da idéia de “neutralidade e imparcialidade” da “grande imprensa”.

 José Sobreira Barros Júnior

Mestre em Filosofia-PUC/SP

 

 

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