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Leibnitz, o conhecimento e as mônadas

 

Em seus primeiros estudos, Gottfried Wilhelm Leibnitz aprofundou seu conhecimento no pensamento medieval e moderno e nas ciências matemáticas.  Em missão diplomática, foi para Paris em 1672, reinado de Luiz XIV. Foi em Paris que descobriu o cálculo infinitesimal , descoberto quase  ao mesmo tempo por Newton, o que criou uma polêmica, não tanto entre eles segundo reza a história, mas mais entre os comentadores. Em 1676 foi nomeado bibliotecário da Biblioteca de Hannover. Abandonou Paris, passou por Londres e pela Holanda, onde conheceu Espinosa. Em Hannover permaneceu, continuando com suas atividades intelectuais, diplomáticas, políticas, com seus estudos e obras sobre matemática, historia, física , filosofia, etc, escrevendo em latim ou em francês. Entre suas obras, destacamos: Discurso sobre a metafísica, O novo sistema da natureza e da comunicação das substâncias, Novos ensaios sobre o entendimento humano (crítica ao ensaio de Locke), Monadologia e o Princípio da natureza e da graça.. Por sua iniciativa, foi criada a Academia de Ciências de Berlim. Morreu na solidão e quase esquecido, em 14 de novembro de 1716.

A questão sobre o conhecimento, sempre presente nas discussões filosóficas,  também foi abordada por Leibnitz, em detalhes, na obra Novos Ensaios, por ocasião de sua crítica à obra Ensaio, de Locke. E, para falar do conhecimento em Leibnitz, há que se falar de sua Monadologia ou Teoria das Mônadas. O que vem a ser isto?

Leibnitz lança mão do conhecimento dos pré-socráticos atomistas (Demócrito 450-391), segundo os quais tudo o que existia era formado por minúsculas partículas indivisíveis (daí  o termo “atomo” = algo indivisível), ao que Leibnitz chamou de mônada (do grego monas que significa “ünidade”) e que seria a menor unidade, compondo um infinito de substâncias, criadora de todas as outras coisas. Indivisíveis, sem partes, as mônadas não podem ser materiais. São então de ordem espiritual; são idéias e expressam. Mas expressam o quê?  ... Monadologia é o princípio de Leibnitz, segundo o qual ele explica  a existência do Mundo e, por conseguinte o conhecimento humano.

         Leibnitz pensa que do “nada”  brota o SER (como significado da essência de tudo quanto possa existir, incluso aquilo que exista apenas na imaginação, na razão). Porém, este “nada” não é absoluto (ele nega o vácuo)  porque, se assim fosse, do nada, nada vem. Este “nada” é apenas um ser da razão, inconcebível, inimaginável. Ele “é” apenas na razão porque ela necessita de um ponto de partida para explicar tudo o mais. Lembremo-nos que estamos na Idade Moderna, Idade da Razão.

         O NADA não tem fundamento, ele apenas é necessário para que dele venha o SER. Então, num sentido metafórico, o SER é o fundamento do próprio SER. E qual é a essência do SER? Sua essência está na possibilidade dele ter sido arrancado desse NADA. Leibnitz explica o SER como constituído por unidades, umas “coisas” únicas e indivisíveis a que chama de mônada(s).

         As mônadas são completas em si mesmas, em sua própria espécie. São diferentes não só na individualização como também na essência. São as mônadas que, em conjunto, explicam a Natureza. “O ato pelo qual as mônadas representam o universo chama-se percepção. Esta, porém, não é fixa: cada mônada tende para representações perfeitas, e o princípio interno (a força) que provoca tal tendência recebe o nome de apetência. As mônadas distinguem-se entre si por graus diferentes de perfeição da percepção, que as distribuem em uma série hierarquizada, desde as mônadas nuas, em que as representações são confusas, até as superiores, em que a percepção é acompanhada de apercepção, isto é, de auto-representação ou consciência.” (História do Pensamento, Nova Cultural, São Paulo,1987, vol.2).

Uma explicação teológica é a de que o conhecimento de Deus está em cada mônada. Por isso, a mônada tem a característica da divindade. Não é Deus que está presente, como que mecanicamente, mas o seu conhecimento. Cada mônada faz a leitura do Mundo e, todas elas em conjunto, a fazem de forma  universal porque elas são divinas. Particularmente consideradas não têm todo o conhecimento de Deus. Mas Deus é o ponto mais alto na hierarquia das mônadas.

         Por outro lado, as mônadas sendo diferentes e  não tendo janelas,  nenhuma delas pode sofrer interferência de outra. Elas são inatas e únicas.

O homem é constituído por corpo e alma, por mônadas, mas é, no entanto, na alma onde, por meio da mônada-alma, se localiza o conhecimento.  A alma é pré-formada, possuindo potencialmente todo o conhecimento. Isto significa dizer que, para Leibnitz, as verdades necessárias, verdades de razão são inatas (as mônadas são inatas) e que são diferentes das verdades de fatos. Estas duas ordens de verdade pertencem ao Princípio da Razão Suficiente (“entendemos não poder algum fato ser tomado como verdadeiro ou existente, nem algum enunciado ser considerado verídico, sem que haja uma razão suficiente para ser assim e não de outro modo, embora freqüentemente tais razões não possam ser conhecidas por nós”, Leibnitz, Ibid), verdade de razão é a necessária e a verdade de fato é a contingente. A primeira é evidente por si mesma, tem a  razão em si mesma, formam proposições analíticas, a priori dirá Kant, aquelas em que o predicado está no próprio sujeito. Mediante análise é possível encontrar a razão que permite chegar à verdade primitiva. Analisar é demonstrar, fazer explícito o predicado implícito na essência do sujeito. A segunda, contingente, significa que por mais que se analise não é possível encontrar a razão de sua existência na essência. As verdades de fato não são reduzidas a verdades necessárias, não são inatas porque necessitam da experiência para se manifestarem.

Exemplo: o meu ato de escrever é, neste momento, um feito que existe mas que também poderia não existir (é um feito contingente) e a sua razão não está contida na minha essência. Sua razão é uma infinidade de outros atos passados e presentes que constituem a razão suficiente do meu ato de escrever que será obscura e indemonstrável, somente explicada por Deus. O ato de escrever depende de um certo ponto de vista da ordem geométrica livre ou da necessidade.

O conhecimento como potência está na verdade de razão que necessita da experiência que é precária (verdade de fato) para se manifestar (ou se atualizar na linguagem aristotélica). Daí ser o conhecimento humano sempre precário, ou seja, o conhecimento absoluto é inalcançável para o homem.  É o Princípio da Razão Suficiente. Mas, e qual é o seu fundamento?

Leibnitz já preconcebe Deus como se fosse a Mônada Suma (o Ato Puro de Aristóteles), a razão suficiente de todo o Universo. Deus é perfeito e como autor das mônadas já pré-estabeleceu um acordo de  ordem (harmonia preestabelecida) entre elas, dando, no entanto, liberdade ao homem para escolher. É no palco da ordem ou das verdades de fato que é possível a escolha (na linha da razão suficiente).  Este acordo é o fundamento do Princípio da Razão Suficiente e, por isso, seja o que for que aconteça no Mundo, será sempre o melhor possível. Para Leibnitz, Deus coloca as infinitas possibilidades sobre diferentes mundos nas mônadas, à disposição do homem e, seja qual for a escolha, será sempre a melhor delas, segundo o homem faça uso de sua melhor escolha ou aptidão. Por isso e para terminar esta breve exposição, para Leibnitz, este é o melhor dos mundos possíveis!

Osvaldina Augusta da Silva

Pós-graduada em Direito/Unisantos e    

Filosofia/Inst. Un. Ortega y Gasset/Madrid

Licenciada em Filosofia/Unisantos

Bibliografia:

MARÍAS, Julián, Historia de la Filosofia, Madrid, Alianza Editorial, S.A., 2000.

SCIACCA, Michele Federico, Historia de la Filosofia, Barcelona, Luis Miracle, Editor, 3ª edição, 1958.

OS PENSADORES, coleção, Nova Cultural, São Paulo, 1988.

 

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Desemprego
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Desemprego
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Espaço-Poesia

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Doutor em Ciências humanas - UFSC
Mateus Ramos Cardoso
Pós-Graduado em  Filosofia - Univ. Cândido Mendes- RJ


O Mal sempre nos causa medo e espanto e nos repele de nossa própria realidade, seja ela entendida como o mundo no qual nos encontramos ou mesmo a realidade pessoal. Mas e quando somos nós que o realizamos? Será que somos capazes de descrever o Mal explicitando-o com nossas próprias palavras ou ações? O que tem o Mal a ver com Deus? O que tem o Mal a ver conosco?

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A alegoria e o neoplatonismo

Julio Cesar Moreira

Mestrando em Filosofia pela PUC-SP

 

Este artigo é a segunda parte de um estudo e tem por objetivo realizar um levantamento no estudo do tema da interpretação alegórica nas doutrinas da escola Neoplatônica[1]. Ao estudarmos o Neoplatonismo é claramente apreensível o quão fundamental e intrínseco ao pensamento Neoplatônico é o componente da exegese alegórica, porém este tema não tem a devida atenção no meio acadêmico.

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Expediente

Paradigmas

Ano X - Nº 37
Filosofia, Realidade & Arte
ISSN 1980-4342

Setembro/outubro 2011

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Expediente

 

Filosofia, Realidade & Arte

Ano XII - n. 39

ISSN 1980 - 4342

Janeiro/fevereiro - 2012

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Nietzsche:  transmutação do espírito, lidar com a história  

 

Tiago Pinto dos Santos

Estudante do 6º semestre de Filosofia - UNISANTOS

 

Nietzsche destaca-se na história do pensamento por ser um homem que grita sozinho e destoa no meio de uma multidão que canta em uníssono. Sua voz é estrondosa e provoca rupturas nas paredes que a cercam – as paredes da tradição. É o melhor dos mundos possíveis este no qual habitamos? É o movimento da história bom e perfeito como um deus, diante do qual nós deveríamos

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