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A Natureza do Homem em Karl Marx

O homem sempre foi e ainda é facilmente seduzido para aceitar determinada forma do ser humano como sendo uma essência. Na medida em que isso acontece, o homem define a sua humanidade em termos da sociedade com a qual se identifica. Sempre houve homens que olhavam para além das dimensões da sua própria sociedade.

Uma das mais significativas definições da espécie caracterizada pelo homem talvez tenha sido dada por Marx, que o definiu como uma “atividade livre e consciente”.

O conceito marxista do homem nasce do pensamento de Hegel. Este princípio como o discernimento de que a aparência  e essência não coincidem. E o problema da relação entre essência? No processo da existência a essência se realiza e, ao mesmo tempo, existir significa o retorno à essência. O mundo é um mundo alienado e falso enquanto o homem não destrói sua objetividade inerte e se reconhece à sua própria vida “por trás” da forma física das coisas  e das leis.

A independência e liberdade, para Marx, baseia-se no ato da autocriação, um ser não se considera independente a menos que seja seu próprio senhor, e ele só o é quando deve sua existência a si próprio. Um homem que vive graças ao favor de outrem deve ser considera um ser dependente.

A critica central feita por Marx ao capitalismo não é a injustiça na distribuição da riqueza; é a perversão do trabalho, convertendo-o em trabalho forçado, alienado, em sentido – por conseguinte, a transformação do homem em uma “monstruosidade”.

A passagem do naturalismo para o historicismo se realiza através da consideração das exigências imprescindíveis da realidade do homem, que é, antes de tudo, um ser natural vivente (ativo) e não pode portanto, ter  realidade ele mesmo se não é real o mundo que está  fora dele, e que representa o seu objeto; e em segundo lugar o homem é um ser humano, e como tal vive e opera dentro da espécie humana.

O homem é antes de tudo um ser natural. Como ser natural vivente, ele é em parte provido de forças naturais, de forças vitais, como impulsos. Em parte ele é, enquanto o ser natural, e objetivo dotado de corpo e sentidos, um ser passivo, condicionado e limitado, um ser real e objetivo dotado de forças naturais, de sentidos, significa que ele tem por objeto do seu ser, das suas manifestações vitais, outros objetos reais e sensíveis e que ele possa expressar a sua vida unicamente sobre os objetos reais e sensíveis. O fato de sermos objetivos, naturais e sensíveis, e ao mesmo tempo termos objeto, natureza, e sentido fora de nós, ou sermos nós mesmos objeto, natureza e sentidos em relação a terceiros, é a mesma coisa. A natureza fora de si, de um objeto fora de si, para poder satisfazer-se e acalmar-se..

Um ser que não tenha a própria natureza fora de si, não é um ser natural, não participa do ser da natureza. Um ser que não tenha o objeto fora de si não é um ser objetivo. “ um ser não objetivo é um não ser”.

Mas o homem não é apenas um ser natural, é também um ser natural humano, isto é, um ser que é por si mesmo, e em seguida um ser genérico; como tal, ele deve atuar e confirmar-se tanto no seu ser como no seu saber.

Nem a natureza objetivamente, nem a natureza subjetivamente, é imediatamente presente ao ser humano de forma adequada. E como tudo isso que é natural deve ter uma origem, assim também o homem tem seu ato de origem, a história, que toda via, é por si um ato de origem de que ele tem consciência. “A história é uma verdadeira história do homem”.

Devemos começar a reconhecer o primeiro pressuposto de toda exigência humana e, portanto, de toda história, isto é, que os homens devem estar em condições  de viver para poder fazer “história”. Mas para viver é antes de tudo comer, beber, ter habitações, etc. O primeiro fato histórico, portanto, é a produção da própria vida material, e sem dúvida é isto um fato histórico, uma condução fundamental de toda história que ainda hoje, como milhares de anos, deve ser cumprida cada dia e cada hora para manter somente os homens é que se observe o alcance e se leve ao reconhecimento dos seus direitos.

A criação prática de um modo objetivo, a transformação da natureza, a ignorância é a demonstração de que o homem é um ser genérico dotado de consciência, é justamente na transformação do mundo objetivo que o homem se mostra como um ser genérico. É esta  produção  que constituição a sua vida ativa como ser genérico. Através dessa natureza aparece como a  sua obra e a sua realidade. Marx se preocupa também em sempre distinguir o homem dos animais por causa da consciência, da religião ou do que mais se queira. Mas na realidade os homens começam a produzir os seus meios de sobrevivência. “Enquanto os homens produzem os seus meios de vida, produzem indiferentemente a sua própria vida material”.

Dá-se, assim, a passagem da estoicidade dos animais ao dinamismo próprio dos homens. Os animais dependem estaticamente da natureza, sempre iguais. O homem, ao invés, com sua criação, encontra-se em relação com este ambiente social, com a sociedade, modificando a sua própria ação, desenvolvendo as suas capacidades e suas produções; numa palavra deve entrar na história. A criação do homem é uma criação da sua própria vida, uma criação progressiva. Assim das diversas relações espirituais, políticas, etc. Não há, absolutamente, uma história própria, não há qualquer desenvolvimento próprio; mas são  os homens que modificam com esta realidade por eles criada, também o seu pensamento e os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.

Neste desenvolvimento da consciência aparece em toda a sua evidência a natureza social que a caracteriza. A consciência humana não se desenvolve no indivíduo isolado, mas unicamente nas relações.

Desde o começo o espírito leva em si a maldição de ser  “contaminado pela matéria”, na qual se manifesta a esta altura sobre formas de camadas de movimento de sons, em suma, de linguagem.

A linguagem é tão velha quanto a consciência. A linguagem  como a própria consciência nasce em primeiro lugar da necessidade da urgência do manter comércio com os seus outros homens. A consciência portanto, é desde o início um produto social e permanecerá como tal enquanto existirem homens. 

Como a sociedade produz o homem enquanto homem, assim produz a sociedade. Há também uma reciprocidade completa, um intercâmbio de ação e interdependência. A atividade e o espírito são sociais tanto pelo seu conteúdo como pela sua origem;  a essência humana da natureza existe unicamente para o homem, e a existência natural do homem torna-se para ele em existência humana; a natureza transforma-se em homem. Assim a sociedade é a unidade essencial que chegou à sua realização, estabelecendo a identificação do homem. Como a natureza, alcançando a verdadeira ressurreição da natureza, realizando o naturalismo completo do homem e o humanismo completo da natureza.

Mas o necessário é recordar aqui que não se trata de considerar o indivíduo passivamente submisso à sociedade, isto é, não se trata de ver nisso um mero produto da sociedade. Marx afirma decisivamente a reciprocidade da ação que se exerce entre o homem e a sociedade.

A doutrina materialista, segundo qual os homens são produto do ambiente e da educação, mudam com o mudar de ambiente e da educação, esquece que o ambiente vem mudando justamente pelos homens e que o próprio educador deve ser educado, ou seja, há uma troca continua de ações e reações entre homens e ambiente, entre indivíduo e sociedade. O homem é um produto da sociedade e a sociedade é um produto do homem.

A sociedade contribui para a transformação do homem, mas é o homem que produz essas modificações.

Portanto, Marx, como mestre, relutava em utilizar a análise estratégica a sério em aplicação a problemas normativos. Isso porque, como ele tendia a chamada abordagem do contrato, o método repousa em postular uma decisão de uma situação do estado de matéria inicial; mas, como afirma Marx, a presunção de um indivíduo fora da sociedade é um absurdo, pois as pessoas jamais, podem ser concebidas em abstrato.

Paulo Leandro Maia

Mestrando em Filosofia-PUC/SP

Bibliografia

MONDIM, Batista, Curso de filosofia - 3, 5ª edição, Edições         Paulinas, 1981, São Paulo

MARX, Os Pensadores

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, e Martins, Maria Helena Pires. Introdução a Filosofia, 2ª edição, Editora Moderna, 1993, São Paulo

PADOVANI, Umberto, e CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia, 17ª edição, Editora Melhoramentos, 1998, São Paulo

 

 

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