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Ética: Uma revisão necessária de seus paradigmas

 Na edição anterior, comentei sobre a necessidade de con-strução(struere) de uma Filosofia Latino-Americana autêntica, livre dos vícios da dominação européia. Agora, trago à discussão a questão do sistema ético vigente, construído desde os gregos até os nossos dias, porquanto a Ética é, como já afirmara,  um dos problemas centrais da Filosofia.

O processo de con-strução de uma nova Ética envolve a preliminar compreensão do ser do homem, e a primeira constatação que se pode fazer a esse respeito é que o homem está no mundo,  percebendo-o no primeiro momento, posto que lhe é anterior, e abrindo-se, então, num segundo momento, para a perspectiva de acessar e compreender o seu próprio ser.

Antes de ser sujeito intelectual é, pois, sujeito da praxis, isto é, em relação com o mundo em que está inserido. Depois, então, vem a ser sujeito do pensamento. O seu objetivo primeiro é sua própria realização, enquanto ser, o que ele busca desde o primeiro instante de vida. Essa busca é, portanto, primeiramente ligada à praxis. Cabe à Ética estudar o homem nessa pro-curação, isto é, estudá-lo em sua ex-sistência, considerando-o numa totalidade e não a partir do intelecto, como se faz tradicionalmente.

 Dessa forma, conforme explica Enrique Dussel, o homem, que não pode deixar de ser o que é, pode, todavia, promover alterações que o levem a ser mais do que é mediante a práxis,  num leque de possibilidades que se lhe apresentam. Sedimenta-se, neste pensar, a responsabilidade do homem pelo caminho a ser escolhido e, por conseguinte, a fundamentação da Ética no ser do homem.

Por isso, é inevitável a retomada do pensamento grego para se entender melhor o Ser ocidental e a concepção de Ética ao longo da sua história. O pensamento do grego Parmênides de Eléia, que viveu na primeira metade do séc. V a.C., é a tese central que norteou o pensamento grego, o qual sustenta, até hoje, a filosofia ocidental. De seus escritos, restaram apenas fragmentos, mas suficientes para enraizar a clássica concepção de que o "Ser é", o "Não-Ser não é" e "ser e pensar são a mesma coisa"  (fragmentos 6 e 3). Assim floresceu a sociedade grega, com todas as suas virtudes, mas calcada na visão totalitária, encerrada em si mesma, sem abertura para o distinto. Isto explica a concepção grega de aceitar o homem grego como o único ser pensante e todos os estrangeiros como bárbaros e instrumentos para servir o grego. A partir deste fundamento unívoco desenvolveu-se a Grécia, dominadora e escravista. E, como se não bastasse a distinção entre os gregos e os outros,  distinguiam mesmo entre os gregos os cônjuges varões adultos, considerados os únicos "seres pensantes", de todos os outros homens, mulheres e crianças.

Para maior aclaramento dessa visão grega, é importante trazer, ainda, à pauta, como também nos lembra Enrique Dussel, a concepção grega de Logos, que abriga a com-preensão do Ser e constitui-se, portanto, no fundamento maior daquele sistema. Isso porque no sentido grego, esse termo significa, radicalmente, co-letar, re-unir, de-finir. E daí, surgiu então a grande fundação do pensamento totalitário grego regido pelo pensamento parmenidiano, porquanto a com-preensãodo Ser encerra, nesta ótica, re-união, co-leta, isto é, um fechamento hermético, sem abertura para o Outro.

Assim, seguindo o filosofar grego, a civilização humana vem caminhando sempre rumo ao fechamento, ao desprezo pelo outro e mesmo à sua utilização como mero objeto instrumental ou até mesmo como parte do próprio sujeito dominante.

No entanto, esse pensamento padece de um vício originário, que Dussel aponta brilhantemente, ao resgatar o sentido primeiro de Logos, qual seja o sentido hebraico, visto que o termo foi dali abstraído para o grego. Explica que Logos corresponde ao hebraico dabar, cujo significado é radicalmente diferente do sentido grego, vale dizer, compreende dizer, falar, dialogar, revelar  e ao mesmo tempo coisa, algo, ente, conforme explica em "Métodos para uma filosofia da libertação", Ed. Loyola, S.Paulo, 1986, Cap.5, §27, pág.199.

Como se pode perceber, Dussel vai além do ponto originário a que a maioria dos filósofos europeus se refere. Enfim, de-struídoo fundamento da Ética ocidental, qual seja, a visão grega de unidade, podemos iniciar a con-strução de uma nova Ética, fundada na abertura para o diálogo com o Outro, com o distinto, numa atitude de respeito e não de imposição ou dominação. Aqui deve-se começar a superação do pensamento grego,   rumo à liberdade, fazendo-se necessário revisar as relações humanas estabelecidas até hoje.

Luiz Meirelles,

Bacharel em Direito - Unisantos

 Licenciado em Letras e Filosofia (Unisantos);

Mestrando em Filosofia (PUC/SP)

Presidente do Centro de Estudos Filosóficos de Santos–CEFS

 

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Charles S. Peirce:
A lógica da investigação e sua semiótica

Luiz Meirelles

Mestre em Filosofia - PUCSP


Charles Sanders Peirce nasceu em Cambridge, no dia 10 de setembro de 1839 e faleceu em Milford, no dia 19 de abril de 1914. Filho de Benjamin Peirce, renomado matemático de Harvard, Peirce se dedicou inicialmente aos estudos da Química, tendo mesmo alcançado o doutoramento também em Harvard. Extremamente ligado às ciências, Peirce foi um dos primeiros pensadores a se preocupar com a linguagem científica. Não estudou apenas Filosofia, mas, também, química, física, astronomia, linguística filologia, história e psicologia.

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Expediente

Revista Paradigmas

Filosofia, Realidade & Arte

Ano XII - n. 39

ISSN 1980 - 4342

Julho/Agosto – 2012

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O mistério do mal

Wellington Lima Amorim
Doutor em Ciências humanas - UFSC
Mateus Ramos Cardoso
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O Mal sempre nos causa medo e espanto e nos repele de nossa própria realidade, seja ela entendida como o mundo no qual nos encontramos ou mesmo a realidade pessoal. Mas e quando somos nós que o realizamos? Será que somos capazes de descrever o Mal explicitando-o com nossas próprias palavras ou ações? O que tem o Mal a ver com Deus? O que tem o Mal a ver conosco?

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Expediente

Paradigmas

Ano X - Nº 37
Filosofia, Realidade & Arte
ISSN 1980-4342

Setembro/outubro 2011

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AS CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS EM VYGOTSKY E FOUCAULT

PAULO DIAS GOMES

Filósofo, Teológo, Doutor em Ciências da Religião e Especialista em Docência do Ensino Superior e em Educação à Distância.

Professor titular da Cadeira de Fenomenologia e Existencialismo, Lógica e Metafísica da Faculdade Phênix de Ciências Humanas e Sociais do Brasil

 

Lev Semionovitch Vygotsky Nasceu em 17 de Novembro de 1896 na cidade Orsha – Moscou. Pensador importante, foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais (e condições de vida).

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