Revista Paradigmas. Edição 01

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O espaço-escola

 Como será a educação no século XXI?

Esta tem sido, ao longo dos últimos anos, a grande preocupação da sociedade.

Hoje, estamos, mais do que nunca, na sociedade da tecnologia e da comunicação. Avanços em todos os campos da ciência são freqüentes, a sofisticação da vida pessoal e social é cada vez mais rápida, as informações e o conhecimento fluem com uma rapidez e numa quantidade tão grande como nunca vistos. Finalmente, problemas advindos de toda essa nova realidade, além das várias questões éticas que elas englobam, engrossam o nosso cotidiano.

Este quadro exige, cada vez mais, um ser humano capaz de rápida e volumosa assimilação. Por assimilação, entendo a capacidade de receber, ordenar, compreender, criticar e oferecer soluções à realidade apresentada. Mas como isso é possível?

Ao debatermos a educação do século XXI, passamos obrigatoriamente pelo espaço onde ela acontece. É bem verdade que o processo de educação acontece a todo o momento, em todos os lugares: na família, no trabalho, no clube etc. Mas há um lugar especial, onde o homem está desde a sua infância ate a fase adulta, em torno de vinte dos vinte e seis primeiros anos de sua vida: a escola. Mas o que é a escola?

A escola é uma instituição presente na sociedade. O responsável pela sua criação é o homem, de forma que a escola nada mais é do que seu reflexo.

Nossa discussão começa, então, pelo próprio homem.

Há mais de dois mil anos, o filósofo Aristóteles disse ser o homem um “animal político”, o que nos traz a certeza de que a natureza humana é essencialmente social.

O homem é um ser social, ele não permanece isolado em sua vida, mas se associa com os seus semelhantes para poder viver. A esta organização damos o nome de sociedade. Agora, para alguns pensadores, a forma como o homem se organiza na sociedade depende diretamente do seu processo produtivo, ou seja, da forma como o homem produz os bens que precisa para sobreviver. Isso é fácil de entender se usarmos um pequeno exemplo: imagine uma sociedade feudal e uma capitalista. Os meios de produação de riqueza não são iguais, o que significa que os homens não vão se organizar da mesma forma.

 Acredito que a escola é um produto direto da maneira como o

ser humano se organiza, isto é, um produto direto da sociedade. A escola, reproduz todos os aspectos sociais. Elementos econômicos, religiosos, jurídicos, éticos e ideológicos. Assim, chegamos à conclusão de que a escola não é um simples espaço físico, mas também um fiel reprodutor dos valores culturais da sociedade em que está; linguagens, signos, demarcações e outros elementos como currículo, grades programáticas e até a forma como estão organizadas as salas de aula são fatos que atestam esta verdade.

Mas a escola não pode ser apenas uma reprodutora de conceitos e valores, deve também criá-los. Assim, chegamos à resposta de como deve ser a escola do século XXI:

Deve ser um espaço consciente de si mesmo: saber que é fruto de um meio social e que está inserido nele, sendo que dele não pode isolar-se e nem eximir-se dos problemas nele existentes. Isso, porque a escola, como reflexo da sociedade, é um campo ideal para o debate e o questionamento. Discutimos, assim, dentro do “espaço-escola”, não apenas o ensino em si, mas a própria sociedade e o processo produtivo que a origina.

Uma pessoa que na fase de formação encontra-se inserida na realidade do meio em que vive, é capaz de assimilar, conforme a minha definição anterior, o que é passado, organizando-se com as demais  (formando uma sociedade civil) e realizando a transformação social.

Quero derrubar os muros que isolam a escola da sociedade e convocar as pessoas a entrar nos “espaços-escola”, pois, só assim, eles estarão ligados ao mundo real.  Chamo as pessoas para que participem da construção da escola do século XXI, ajudando os alunos  nos seus processos de conhecer.

Através deste trabalho, estou procurando revolucionar as idéias que temos de conhecimento e de como construi-lo, bem como estou transformando os conceitos de educador e educando existentes. Tal revolução e transformação se dá com a Filosofia e com a nossa prática do dia-a-dia, elementos responsáveis para formar a consciência crítica, que é o que nós, educadores, buscamos fazer.

Prof. José Sobreira Barros Jr.

     Bacharel em História e

Mestrando em Filosofia – PUC/SP

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